AUTORIA:

O texto incluído nesta secção com a descrição da toponímia figueirense é uma reprodução quase integral de um livro denominado "Toponímia da Figueira nos séculos XVII, XVIII, XIX e XX" editado em 1997 por Fausto Caniceiro da Costa que (em vida) autorizou a mesma ao autor deste site.

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Toponímia Figueirense - J

JARDIM MUNICIPAL
Como em outros pontos se diz, o Rio Mondego formava três reentrâncias na sua margem direita, que deram origem, respectivamente à formação da Praia da Reboleira (actual Praça 8 de Maio), a de montante, à Praia da Ribeira (actual Largo Luís de Camões e Praça General Freire de Andrade), a do meio e finalmente ao Jardim Municipal, a de jusante, a maior de todas, medindo 140 metros de comprimento e 80 de largura e que no seu troço superior recebeu os nomes de Praia da Fonte ou Largo da Praia da Fonte. Em 21-VIII-1907 o espaço agora ocupado pelo jardim foi designado por Largo José Luciano de Castro, um importante político, advogado e jornalista da época, cujo nome prevaleceria durante poucos anos, pois após a construção do jardim passou a chamar-se Jardim Municipal Infante D. Henrique, para finalmente ser apenas Jardim Municipal.

JOÃO DE BARROS (Rua Dr.)
Foi assim designada por deliberação camarária de 9-XI-1960. É o prolongamento natural da Rua Dr. Simões Barreto, a poente ligando com a Rua dos Lusíadas, a nascente, a qual, por sua vez, entronca na Rua Joaquim Sotto Mayor. O Dr. João de Barros foi um dos mais importantes intelectuais figueirenses. Escritor, poeta, professor, director do Ensino Primário e Secundário, Secretário-Geral do Ministério da Instrução e Ministro dos Negócios Estrangeiros, pugnou bastante pela aproximação luso-brasileira, o que lhe valeu a nomeação de membro da Academia Brasileira de Letras. Possuía inúmeras condecorações e na zona da Ponte do Galante tem um monumento evocativo com um baixo relevo da efígie do poeta.

JOÃO GASPAR SIMÕES (Rua)
Foi assim designada por deliberação camarária de 18-X-1994. Estabelece a ligação entre as ruas Garrett e dos Lusíadas, correndo paralela com a primeira delas, pelo lado poente. O Dr. João Gaspar Simões era formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi autor de várias obras literárias e de uma peça de teatro, colaborou em diversas publicações nacionais e brasileiras e foi crítico literário do "Diário de Notícias" durante mais de 50 anos. Era sócio da Academia Brasileira de Letras, tendo sido distinguido com vários prémios.

JOÃO JOSÉ FERNANDES BUGALHO (Rua Dr.)
Foi assim designada por deliberação camarária de 11-IV-1996. Tem o seu início do lado sul da Rua Dr. Mira Coelho e correndo no sentido poente-nascente, termina na sua 4.ª travessa. O Dr. João José Fernandes Bugalho foi uma importante figura política local e elemento oposicionista dos governos de Salazar e Caetano, tendo tomado parte activa nas campanhas eleitorais para a Presidência da República dos generais Norton de Matos e Humberto Delgado, sendo ainda um dos fundadores do PPD/PSD.

JOÃO JOSÉ FERNANDES BUGALHO (1.ª e 3.ª Travessas)
Foram assim designadas por deliberação camarária de 11-IV-1996. Ficam situadas transversalmente e do lado sul da Rua João José Fernandes Bugalho, não tendo saída.

JOÃO JOSÉ FERNANDES BUGALHO (2.ª e 4.ª Travessas)
Foram assim designadas por deliberação camarária de 11-IV-1996. Ficam situadas transversalmente e do lado norte da Rua João José Fernandes Bugalho, não tendo saída.

JOÃO DE LEMOS (Rua)
Foi assim designada por deliberação camarária de 23-V-1991. É impropriamente classificada de rua, quando não passa de uma travessa devido à sua muito reduzida extensão. A demolição de uma antiga casa de espectáculos chamada Teatro Parque Cine em cujo terreno foi construído em Centro Comercial deu origem à abertura deste arruamento que estabelece ligação entre as ruas Cândido dos Reis, a norte Dr. Francisco António Dinis, a sul, sendo zona pedonal. João Manuel Gonçalves de Lemos, foi um competente funcionário da Sub-delegaçào de Saúde da Figueira, e, como delegado de uma companhia de seguros sediada nesta cidade, que daria nome ao Centro, instituiu a atribuição de prémios diversos, tendo obtido alguns benefícios para a cidade, pelo que a Câmara Municipal da Figueira lhe atribuiu a Medalha de Prata da cidade.

JOÃO RIGUEIRA (Rua Dr.)
Foi assim designada por deliberação camarária de 4-VIII-1995. Localiza-se na zona de Urbanização D. Luís I, a sul da Rua Dr.ª Cristina Torres, com saída da Rua D. Luís I em direcção ao norte, flectindo para nascente. Não tem saída, possuindo uma praceta de retorno. O Dr. João Gomes dos Santos Rigueira era licenciado em Ciências Matemáticas e engenheiro geógrafo pela Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira, e durante 38 anos reitor do Liceu Bissaia Barreto depois Municipal da Figueira da Foz, actualmente Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho.

JOAQUIM DE CARVALHO (Avenida Dr.)
É uma das modernas artérias da Figueira aberta na Urbanização das Abadias, sendo conhecida de início por Avenida que liga a Rua Joaquim Sotto Mayor à Rua da Graça, para, em 19-XII-1967 a Câmara Municipal passar a designá-la por Avenida Dr. Bissaia Barreto, até que em 5-VI-1974 lhe chamou o nome actual de Avenida Dr. Joaquim de Carvalho. É o prolongamento natural da Rua Alexandre Herculano, tendo a sua origem na Rua Joaquim Sotto Mayor, a poente, cruza-se com a Rotunda do Centenário, atravessa a zona verde das Abadias que se chamou Parque Professor Doutor Joaquim de Carvalho, para terminar na parte superior da Rua Fernandes Coelho, a nascente. O Professor Doutor Joaquim de Carvalho foi lente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Director da Biblioteca, Administrador da Imprensa daquela Universidade e professor da Escola Normal Superior de Coimbra. Foi sócio efectivo da Academia de Ciências de Lisboa, cavaleiro da Legião de Honra, doutor "honoris causa" pelas Universidades de Montpellier, Salamanca e São Paulo, tendo representado Portugal em inúmeros congressos internacionais.

JOAQUIM JARDIM (Rua Dr.)
No séc. XVIII chamava-se Rua do Forno porque numa casa desta rua pertencente à família Malheiros existia um dos fornos de poia pertencente à casa de Tavarede e nos princípios do séc. XIX chegou a ser denominada de Rua dos Malheiros, mas a partir de 1815 já figura em documentos oficiais com o nome de Rua Bela (vulgo Rua do Correio) nome que manteve até aos nossos dias. Tem a sua origem na parte inferior da Rua Dr. Santos Rocha, a nascente, terminando na Praça General Freire de Andrade, a poente. O Dr. Joaquim dos Santos Pereira Jardim serviu o Partido Regenerador, tendo exercido advocacia na Figueira durante 30 anos. Foi administrador do Concelho e presidente da Câmara Municipal da Figueira na vigência da Monarquia e da República pôr mais de 14 anos, tendo sido durante a sua presidência, que foi iniciada a construção do actual edifício dos Paços do Concelho, inaugurado em 1898, sendo ainda deputado pela Índia pelo círculo de Leiria.

JOAQUIM LOPES FÉTEIRA (Praceta Dr.)
Foi assim designada por deliberação camarária de 4-VIII-1995. Fica localizada na zona de Urbanização D. Luís I do lado norte da Rua D. Luís I, entre a Rua D. José I e a Avenida Dr. Manuel Gaspar de Lemos, a nascente da Praceta Dr. António Sotero. O Dr. Joaquim Lopes Féteira era formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, tendo sido Director Clínico das termas da Amieira e prestado serviço no Hospital de Apoio, Hospital da Misericórdia e na P.S.P. da Figueira durante largos anos.

JOAQUIM SOTTO MAYOR (Rua)
Foi assim designada pôr deliberação camarária de 26-VI-1968. É o prolongamento natural da Rua da Liberdade, tendo a sua origem no cruzamento nas ruas da Fonte, Viso e Dr. Luís Carrisso, a sul, finalizando na Rua Rancho das Cantarinhas, (antiga estrada Buarcos--Tavarede), a norte, sendo a maior rua na Figueira. Joaquim Felisberto da Cunha Sotto Mayor foi um grande benemérito que prestou inúmeros benefícios a instituições de caridade, colectividades locais e concedeu subsídios a artistas figueirenses para estagiarem em Paris. Fez construir na cidade na primeira década do século XX o palácio que tem o seu nome e que é hoje pertença da Sociedade Figueira-Praia.

JOSÉ AFONSO (Praceta Dr.)
Era vulgarmente conhecida por Praceta 25 de Abril, e por deliberação camarária de 28-IV-1987 passou a designar-se por Praceta Dr. José Afonso, ou Praceta Zeca Afonso. Situa-se do lado nascente da Avenida 25 de Abril, estando localizada a sul das pracetas Dr.ª Madalena de Azeredo Perdigão e Dr. Marcos Viana.

JOSÉ FRANCISCO NICO (Rua Dr.)
Foi assim designada por deliberação camarária de 20-I-1981. Fica localizada no Bairro da Estação entre a Rua António Pestana Rato, a poente e a Rua Ocidental do Matadouro, a nascente. O Dr. José Francisco Nico foi médico veterinário na Figueira durante 45 anos e Provedor da Santa Casa da Misericórdia. Era uma pessoa muito considerada no meio figueirense e a Câmara Municipal da Figueira atribuiu-lhe a Medalha de Bons Serviços ao atingir o limite de idade.

JOSÉ JARDIM (Rua Dr.)
No séc. XVIII esta rua tinha duas designações: o troço oriental denominava-se Rua ou Estrada que vai para a Praia da Reboleira (actual Praça 8 de Maio), enquanto o troço ocidental era conhecido por Rua que vai para a Ribeira, (actual largo Luís de Camões e Praça General Freire de Andrade). Na segunda metade daquele mesmo século tomou sucessivamente os nomes de Rua de Basílio Francisco Pinheiro, Rua de Basílio Francisco, ou simplesmente Rua do Basílio. Esta foi a rua da Figueira que teve o maior número de nomes. Assim, em 1781 era Rua Junto do Cais, em 1793 era Rua do Cais ou Rua do José Brás, em 1806 chamava-se Rua das Flores, por vezes alterado para Rua Nova das Flores, em 1817 era Rua da Alfândega que vai para o Cais e em 1826 Rua do Cais por Detrás da Rua da Alfândega. Teve ainda mais as seguintes designações: Rua que vai para o Cais, Rua que vai para a Alfândega, Rua do Cais que vai para a Alfândega e Rua que vem da Ribeira e vai dar à Praça da Reboleira, tendo porém mantido o de Rua das Flores, nome pelo qual ainda é hoje conhecida, até ao ano de 1930, em que recebeu o actual de Rua Dr. José Jardim. O seu trajecto define-se, como atrás se deduz, entre a Praça 8 de Maio, a nascente, e a Praça General Freire de Andrade, a poente. O Dr. José dos Santos Pereira Jardim foi um distinto médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e político da sua época muito influente na cidade. Foi conselheiro de Estado, governador civil de Coimbra e de Leiria, deputado pelo Círculo da Figueira e figura marcante do Partido Regenerador. Exerceu as funções de presidente da Câmara Municipal da Figueira por mais do que uma vez e contribuiu para a fundação da Obra da Figueira, que serviu durante alguns anos. Prestou relevantes serviços à Associação Comercial, dirigiu a casa José dos Santos Pereira Jardim & C.ª, Lda. e escreveu o livro "As Alfândegas, Fidalgas Figueirenses de Outrora".

JOSÉ LUÍS MENDES PINHEIRO (Rua Dr.)
É o prolongamento natural da Rua do Pinhal, a sul, estendendo-se a partir do Largo do Pinhal até ao antigo Seminário, a norte onde dá continuidade à Rua José da Silva Ribeiro. O percurso destas ruas é também conhecido por Estrada de Tavarede. O Dr. José Luís Mendes Pinheiro foi professor da Universidade de Coimbra, tendo fundado nesta cidade o Colégio Figueirense, que, por sua morte, legou à Diocese de Coimbra, em cujo edifício funcionou o Seminário Menor e onde actualmente (1997) está instalada a Universidade Católica Portuguesa.

JOSÉ RAFAEL SAMPAIO (Rua Dr.)
Foi assim designada por deliberação camarária de 25-VIII-1981. Situa-se na Urbanização da Quinta do Paço e o seu trajecto estende-se desde a Rua José da Silva Ribeiro, a poente, para finalizar na Praça António Sérgio, a nascente. O Dr. José Rafael Sampaio foi combatente na I Grande Guerra, tendo recebido diversos louvores e condecorações entre as quais a Ordem de Cristo com palma, medalhas da Campanha e da Vitória, Torre e Espada, etc. Foi co-fundador e professor do extinto Colégio Academia Figueirense, associativista e jornalista de mérito. Esteve deportado em Angola e sofrido várias prisões devido aos seus ideais democráticos, sendo um dos fundadores do PPD/PSD.

JOSÉ DA SILVA FONSECA (Rua)
Foi designada primitivamente por Estrada Pública da Lomba que vai para Santo António, mas em 1870 a Câmara da Figueira passou a chamar-lhe Rua da Lomba, Rua da Lomba do Casal da Rafa ou ainda Rua da Paz, e num documento datado de 1804 aparece até com o nome de Rua da Lomba novamente intitulada de Rua da Paz. É o prolongamento da Ladeira da Lomba, a sul, esta com origem na Rua dos Bombeiros Voluntários, a qual, após mudar de direcção, passou a denominar-se por Rua José da Silva Fonseca, para terminar na Rua Visconde da Marinha Grande, a norte. José da Silva Fonseca foi presidente da Câmara Municipal da Figueira e da Junta Autónoma do Porto e Barra. Tomou parte activa na propaganda republicana e teve vasta colaboração espalhada na imprensa figueirense.

JOSÉ DA SILVA RIBEIRO (Rua)
Foi assim designada por deliberação camarária de 27-V-1986. O seu trajecto faz parte da antiga Estrada de Tavarede, sendo o prolongamento natural da Rua Dr. José Luís Mendes Pinheiro a partir da zona do antigo Seminário, actual Universidade Católica Portuguesa, a sul, até aos Quatro Caminhos, a norte. José da Silva Ribeiro foi um brilhante jornalista e um competente homem de Teatro, que esteve ao serviço da Sociedade de instrução Tavaredense durante mais de 60 anos. Dotado de palavra fluente deu grande contributo à propaganda da República, sendo convidado para proferir discursos em actos solenes e colectividades. Forte adversário do salazarismo esteve preso e sofreu perseguições, sendo bastante considerado por muitos dos seus adversários políticos.

JOSÉ DA SILVA RIBEIRO (Travessa)
Foi assim designada por deliberação camarária de 26-III-1996. Fica do lado poente e da parte terminal da Rua José da Silva Ribeiro e a sul da Quinta das Vaquinhas não tendo saída. Tem praceta de retorno.


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