Praça Nova (8 de Maio)

Foi assim designada para comemorar a data em que as tropas liberais entraram na cidade (8-V-1834).

O Rio Mondego formava três extensas reentrâncias que eram designadas por "praias". A de montante chamava-se Praia da Reboleira ou Robuleira, nome que se manteve até princípios do século XX, tendo posteriormente dado lugar à designação de Praia da Tamargueira e em 1764 era conhecida por Rodo da Reboleira ou Rotunda da Reboleira.

Em 1785 a Câmara Municipal quis dotar a então vila da Figueira de uma praça, para o que construiu um muro do lado do rio para se opor aos alagamentos provocados pelas marés vivas, e alteado o seu pavimento, tendo depois passado a chamar-se Praça Nova da Reboleira, Praça Nova da Alegria, Praça Nova chamada em outro tempo de Reboleira, e, abreviadamente, por Praça Nova, nome por que ainda hoje é mais conhecida.

Fica localizada entre o Cais da Alfândega, a sul, e a Rua dos Combatentes da Grande Guerra, a norte, nela tendo origem as ruas Dr. José Jardim, a poente, Combatentes da Grande Guerra e Ferreiros, a norte, e Ladeira da Lomba, a nascente.

Esta Praça foi considerada desde sempre a zona comercial mais importante da Figueira, e no seu maior prédio sito do lado nascente da mesma confinante com a Ladeira do Monte, até finais do Séc. XIX e princípios do actual funcionaram ali os seguintes serviços públicos: Câmara Municipal, Administração do Concelho, Tribunal, Cartórios, Contadoria do Juizo, Conservatórias e Estação Telegráfica.

O "Almanaque da Praia da Figueira" de 1878-1879 chama-lhe "Boulevard 8 de Maio" dizendo: "É actualmente o mais elegante bairro da Figueira à Beira do Mondego, nos terrenos ainda há pouco conquistados a este rio. Compõe-se de ruas largas, elegantes, onde as construções se multiplicam com uma rapidez prodigiosa".

Fausto Caniceiro Costa - in "Toponímia da Figueira nos séculos XVII, XVIII, XIX e XX"

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Praças Nova, da Alegria e 8 de Maio

A bonita praça (...) chamou-se, primeiramente e depois de ter sido convenientemente pavimentada e de ali ter sido erigido o monumento ao egrégio figueirense Manuel Fernandes Tomaz, o herói da Revolução de 1820, Praça Nova, simplesmente por ser já então mais bonita que a sua vizinha, a Praça Velha, onde chegavam as águas do Mondego nas suas marés cheias e local onde se construíam pequenas embarcações destinadas à pesca (...).

Na Praça Nova, onde também esteve instalada a Câmara Municipal até à construção do belo edifício da Av. Saraiva de Carvalho, que abrigou diversas repartições públicas como o Tribunal Judicial, o Museu Municipal e outros órgãos da administração do concelho e, até, a Escola Industrial e Comercial, passou a ser ponto de encontro da população figueirense.

Ali se reuniam as personalidades locais, gente de algo e o povo em pequenas festas populares ou comemorativas de fastos notáveis da vida da Figueira passando, a certa altura, quando em 8 de Maio de 1834 se quebraram as algemas do despotismo de D. Miguel e em Buarcos flutuou pela primeira vez a bandeira da liberdade, abrigando-se sob ela os oprimidos que, na povoação, sofreram seis longos anos de perseguições e iniquidades. (...)

Passou depois deste importante acontecimento, e a até por isso mesmo, a ser conhecida como Praça Nova da Alegria e ali foi construído o grande edifício onde durante longos anos, além da Câmara Municipal, esteve o estabelecimento de Luís Neto Braz & Filhos, comportando nos seus andares superiores repartições oficiais, um Cartório Notarial, a sede do Clube dos Caixeiros e residências particulares com as traseiras voltadas para nascente, onde viviam famílias diversas, como o conhecido Carlos Cooke. (...)

Continuando, como já dizemos em cima, diremos que foi em 8 de Maio de 1834 que, em Buarcos, o intrépido cidadão João António do Amaral Guerra se dirigiu, sozinho, ao Forte da Praça e ali, em presença dos soldados do 21 de Linha de D. Miguel, aclamou a Carta Constitucional e o legítimo governo, estando já em frente da enseada a esquadra liberal comandada pelo Almirante Napier. (...)

A Praça Nova da Alegria deixou de ser considerada com os nomes que tão belamente lhe assentavam para ser hoje conhecida por todos apenas como primeiramente foi – Praça Nova.

Mas... há ainda mais de interessante a dizer sobre esta Praça Nova, Nova da Alegria, ou 8 de Maio.

Como já referimos ela era em tempos idos ponto de reunião de todos e de tudo o que marcava na Figueira.

Em tempo de banhos a Praça era o que foi, e ainda é, o “Picadeiro”. Banhistas e indígenas ali convergiam e nas tardes e noites de Agosto e Setembro, era um fervilhar de gente elegante e distinta no dizer de “Gantoias”, um cidadão que escolheu este pseudónimo para nos trazer curiosas notícias e episódios de um passado já longínquo nos tempos em que, lá fora, andavam ligados os nomes da Figueira, o S. João, o Café Central e a loja do Novais.

Era a Praça Nova que apresentava as melhores ornamentações pelas festas de S. João. Foi na Praça Nova que fez a sua apresentação a “Tuna Figueirense” que primava pela sua indumentária e execução, mas cuja duração foi idêntica à das rosas de Malherbe.

Foi ainda na Praça Nova que o António Vicente Pires, o Pires da Phenix e o Gerardo organizaram lindos bailes infantis.

“Foi na Praça Nova”, diz Gantoias, “desde o tempo em que eu ali desci em diligência vindo de Coimbra, à porta do Carlos Guia, em Abril de 1888, até à sua decadência, que se passaram um nunca acabar de recordações; e depois não são só recordações alegres, há também as triste, as saudosas, as dos que deixaram este pícaro mundo, quase todos na força da vida, como o Sotero, o Francisco Rocha, o José Santos, tio, os Nestórios, o Manuel Santos, etc., enfim todos os que moravam na Praça Nova, quando ali ma apeei. Apenas existem duas senhoras, mãe e filha, cujos nomes oculto para não me emocionar de saudades.”

A Praça Nova! Que tempos e que saudades.

Aníbal de Matos - in O Figueirense - 2001/09/28

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Estátua Manuel Fernandes Thomaz “ganhou” nova fonte

Foi ontem (2005/09/23) inaugurada, na Praça 8 de Maio, a fonte que adorna a base da estátua de Manuel Fernandes Thomaz.

Há largos anos sem funcionar com regularidade, esta estrutura entrou em obras de requalificação.

Construída no início da década de 90, a estrutura apresentava uma ruptura no tanque de circulação de água que a impedia de funcionar com regularidade. Através de um investimento de 83 mil euros - repartidos entre a câmara municipal e a Águas da Figueira, empresa concessionária - a "nova" fonte manteve o seu formato circular tendo, no entanto, sido dotada de equipamento moderno, nomeadamente 16 jactos parabólicos que adquirirão a forma de arco.

in As Beiras - 2005/09/24


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