Ponte
Edgar Cardoso
Foi ao som do Hino Nacional, interpretado pela Filarmónica
Figueirense, que Ramalho Eanes e Pinto Balsemão, então as figuras
emblemáticas do país, acompanharam Joaquim de Sousa no momento mais
significativo que marcou a inauguração da Ponte da Figueira da Foz.
Estava-se em 12 de Março de 1882, ano em que a Figueira celebrava o
seu primeiro centenário como cidade.
Projectada pelo arquitecto Edgar Cardoso, a nova infra-estrutura
veio dar então resposta a uma ânsia antiga dos figueirenses: entrar
condignamente na cidade, abolindo definitivamente a velha ponte de
ferro, do início do século, que com os seus típicos semáforos
regulavam o trânsito para sul, motivando filas intermináveis e
esperas longas para quem ia para a praia ou para o hospital, que
entretanto também se mudou para o lado de lá.
Na altura a ponte foi apontada como uma referência positiva da
engenharia portuguesa e os elogios foram rasgados, sobretudo até se
tecerem acusações fortes aquando do deslize de terras que
posteriormente aconteceu. Nada de grave, atendendo à dimensão da
obra.
Actualmente, a nova Ponte da Figueira, iluminada, sofre apenas
pelo pequeno troço que lhe dá continuidade e que afunila o trânsito:
a velha Ponte dos Arcos.
Jorge Lé - in O Figueirense - 2001/03/16
As Pontes da Figueira
“Proponho que se represente com urgência ao governo para que
sejam imediata e oficialmente abertas ao público as pontes sobre o
Mondego ou para que (pelo menos) seja facultado o trânsito de peões
pelas mesmas pontes desde o dia 1º do próximo mês de Janeiro”
Estas são palavras de José Francisco Vaz, vereador, proferidas na
sessão de 12 de Dezembro de 1906 da Câmara da Figueira da Foz.
Quando José Vaz falou na sessão camarária do dia 12 já as pontes
estavam abertas aos peões que pagassem 20 reis ao arrematante da
barca de passagem, uma sociedade constituída por Domingos Simões
Calhau e José Ferreira Santos. Esta tinha contrato para fazer a
passagem até ao final do ano de 1906, mas o povo, sabendo que as
pontes estavam feitas, forçava a sua abertura.
“Os habitantes das freguesias do sul do concelho atribuem à
Câmara o firme propósito de os privar da passagem pelas mesmas
pontes”, disse também o vereador José Vaz, sem referir, contudo, que
as populações, em protesto, tinham derrubado os sacos de areia que
serviam de vedação.
As pontes, a do braço norte que só foi substituída pela “ponte da
Figueira da Foz” aberta em 12 de Março de 1982, e a do braço sul que
durou menos tempo e foi substituída pela “ponte dos arcos” em 1942,
acabaram por ser abertas no dia 14, apenas para os peões.
No dia 22 de Dezembro veio a autorização superior “para também
poderem também transitar pelas pontes sobre o Mondego veículos de
qualquer espécie” pelo que a empresa de Viação Rippert “estabeleceu
uma carreira extraordinária para Lavos” logo no dia seguinte. O
mesmo fez o “conhecido Alquilador Achadiço” que pôs um carro a
circular para sul “partindo da Praça Nova”.
As duas margens estavam agora mais perto.
in Álbum Figueirense - 2004/08/26
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