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Piscina Praia
No início dos anos 50 arrancam as obras que ergueram o Grande
Hotel da Figueira e da Piscina-Praia, ambos inaugurados em 1953, faz
portanto este ano (2003) 50 anos.
Agora municipal e recentemente recuperada, a Piscina-Praia, que
durante os últimos anos foi da pertença da Sociedade Figueira Praia,
foi mandada edificar por Augusto Silva, importante empresário
hoteleiro da época.
Construída frente ao mar, com água salgada, em plena avenida
Oliveira Salazar (hoje 25 de Abril), a Piscina-Praia deixa memórias
olímpicas a uns ou, a muitos, a saudade e a ternura dos romances, ao
sol, frente ao imenso Atlântico.
Noites e dias de festa, de competições internacionais. Cheia, a
abarrotar. A piscina que está quase a fazer 50 anos.
No dia 6 de Agosto de 1953 estava materializado o sonho. Isaías
Cardoso foi o autor do projecto. Na inauguração estiveram presentes
Álvaro Malafaia, então presidente da Câmara; Eugénio de Lemos,
governador civil de Coimbra, Bissaya Barreto, Maria de Lurdes
Loureiro da Silva, António Sotero de Oliveira, deputados, entre
muitas outras figuras.
Estiveram mais de 400 convidados. Após algumas exibições de
estilos e saltos artísticos, por nadadores do Sport Algés e Dafundo
e Associação Académica de Coimbra, discursou Eduardo Silva, em nome
de seu pai.
Vários órgãos de comunicação social cobriram o evento, entre os
quais estava o jornalista figueirense Aníbal José de Matos, que se
recorda perfeitamente do acto solene da inauguração.
A estrutura que vinha engrandecer sobremaneira o turismo local,
estava protegida dos ventos dominantes, desenhada em três níveis,
moderna, com esplanadas, bar e restaurante. Com soberba vista sobre
a baía e a serra, a Piscina-Praia era um exemplo a nível nacional.
José Redondo foi o engenheiro "a quem se deve toda a obra de
hidráulica e betão armado", como fez questão de salientar Isaías
Cardoso aquando da inauguração. Requintadamente decorada pela Casa
Lino Nascimento, a piscina teve pompa e circunstância quando abriu.
A captação da água, na orla do mar, causou grandes preocupações
aos técnicos de paredão, chegou-se a aventar que a piscina passaria
o verão sem água, mas tudo se ultrapassou. "Os drenos foram feitos
em meia dúzia de marés", como escreveu José Redondo.
Depois a sua localização, beleza, modernidade e condições
sanitárias guindaram-na ao patamar mais alto do desporto.
Limpa e tratada com cloro pelo Eduardo Penicheiro durante largos
anos, a piscina teve mais tarde Edmundo Barrué, histórico ginasista
e cuja memória ainda hoje é guardada por muitos, o favorito
professor de natação. As águas rasgadas pelos raios de sol que ao
pino do verão aqueciam naturalmente a piscina, serviam para os
turistas, portugueses e espanhóis, nadar, em segurança, e desfrutar
da "claridade" que o figueirense Augusto Pinto exaltou.
O escritor José Luís Cajão classificou-o de "empreendimento
generoso". Também Cardoso Martha, escritor figueirense, salientou "o
dinamismo inteligente e progressivo de Augusto Silva".
Mas se começámos a historiar o turismo, poder-se-á dizer que
actualmente que esta indústria é hoje uma necessidade e um direito
legítimo do ser humano, assim como o são a educação, a saúde, a
segurança e a justiça.
Se quisermos dar uma ideia muito simples de turismo, diremos que
é todo um universo de deslocações de pessoas, seja pelo prazer de
aproveitar tempos livres, seja por outros motivos. Isto para
concluirmos que a Figueira da Foz persegue o turismo e actualiza
infra-estruturas. Ainda recentemente a piscina foi recuperada,
reinaugurada e aí está, pronta para servir novamente o turismo, tal
como há cinquenta anos.
Jorge Lé - in O Figueirense - 2003/05/02
Nota: As 6 imagens (fotografias) aqui apresentadas mostrando a
piscina no passado foram obtidas a partir de postais ilustrados
(relativamente antigos) que já não se encontram à venda (salvo
melhor informação). Por isso mesmo, o autor da AntonioCruz.net, ao reproduzir aqui estas imagens, julga não estar a infringir
qualquer lei em termos de direitos de autor (ou outra).
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