Mercado Municipal

Respondendo aos apelos do crescimento e renovação urbanos da Figueira da Foz impulsionados pelo crescente desenvolvimento do seu porto de mar e das actividades comerciais, o Mercado surge integrado no projecto das obras de melhoramento do Porto e Barra levadas a cabo pelo Engenheiro Francisco Maria Pereira da Silva. Quer pelo alcance e importância deste seu projecto quer ainda pela sua intervenção na construção da nova área urbana que tomou o nome de Bairro Novo, a Câmara Municipal deliberou em Janeiro de 1892 atribuir a título póstumo o seu nome ao Mercado da cidade.

A sua construção e exploração havia sido entregue a 7 de Maio de 1890 a Guilherme Mesquita que praticamente um ano depois transferiria a sua concessão para a Companhia Progresso Figueirense da qual era presidente.

Inaugurado a 24 de Junho de 1892, dia de S João padroeiro da cidade o mercado seria gerido por esta Companhia durante 85 anos. Em 1977 a sua gestão passou para a autarquia.

Edifício de planta quadrangular, com três frentes libertas e com fachada principal voltada para o jardim Infante D. Henrique, cobre uma superfície de cerca de 4800 m , com grande pátio central, coberto por uma estrutura em ferro construída segundo as mais modernas técnicas da época.

Este edifício integra-se na ampla corrente da “arquitectura do ferro”, que abrangeu todo o território nacional e internacional durante a 2ª metade do século XIX, inícios do século XX, o que lhe confere um valor acrescentado em termos histórico-estéticos.

Apesar de ter conhecido intervenções e melhoramentos vários, o edifício mantém ainda a sua traça original e o sistema de cobertura e iluminação zenital que o caracterizam.

O colorido das suas bancas, bem abastecidas de frutas e legumes, o eco dos tradicionais pregões das peixeiras, apelando à abundância e variedade de peixes e mariscos, as carnes e charcutaria, o pão, lacticínios e outros produtos regionais, a floricultura e o pequeno comércio (vestuário, calçado e outros artigos), constituem peças de um cenário vivo e renovado a cada dia, testemunho real das riquezas económicas e culturais da região.

fonte: Museu Municipal

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Ao mercado da Figueira da Foz

Olá velhinho amigo centenário!...
Daqui, mando um abraço de amizade;
Por ti, tenho um apreço extraordinário!
Já que és um grande símbolo da cidade…

A quantos já mataste tu a fome?!
És património já do nosso povo!
Por isso, o figueirense honrou teu nome,
Ao dar-te algum carinho e um fato novo!

Mas, houve um dia, um certo pretendente,
Que p’ra te derrubar, foi implantado;
Mas voltou-se o combate ao combatente,
E agora, ele, é que irá ser derrubado!... (*)

Justiça, condição ou ironia,
Ou coisas de um destino traiçoeiro!?
Alguém nos qu’rer matar um certo dia,
E acabar por morrer ainda primeiro!...

Viva o nosso Mercado da Figueira!...
Frente ao Mondego e ali juntinho à Foz;
Que possa ser feliz a vida inteira,
Quem o salvou da morte e lhe deu voz!...

António Rocha da Costa

(*) E foi mesmo!...


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