Bairro Novo

(...) No Verão, este local privilegiado recebe animação de rua regularmente, com artistas que actuam um pouco por todo o Bairro Novo, como que revivendo a tradição dos antigos concertos de rua. Revestidos de novas roupagens, apelam a outra faixa etária, mais jovem, para quem o Picadeiro continua a ser ponto de encontro, principalmente após a remodelação que este sofreu, e tendo recebido espaços que apelam mais aos jovens.

Olhar de ontem para hoje

Maria Helena Alves, actual proprietária da Casa Havanesa, o mais antigo estabelecimento do Picadeiro, tem um ponto de vista privilegiado sobre a evolução que este espaço sofreu.

Fundada em 1885, a Casa Havanesa passa do seu local original na Praça Nova para o Picadeiro, já perto do fim do século XIX, acompanhando a evolução da dinâmica da Figueira. Este espaço, fundado pelo tio-avô de Maria Helena, começou por vender tabacos, daí o nome Havanesa, e mesmo “artigos de papelaria, águas, e muitos outros artigos”.

Após o falecimento do pai, há cerca de quarenta anos, Maria Helena começa a gerir o estabelecimento e hoje considera que “o Picadeiro evoluiu bastante. Era uma zona muito bem frequentada, no Verão, mas morria no Inverno. Agora há muito mais movimento, uma vez que o comércio se desenvolveu bastante”.

Politicamente, o Picadeiro e mesmo a Havanesa foram de grande importância “na Segunda Guerra Mundial. Muitos refugiados reuniam-se aqui, era o ponto de encontro, o meu pai era vice-cônsul da Bélgica e o meu tio vice-cônsul de Inglaterra, e como tal, davam apoio aos refugiados no que podiam”.

Hoje em dia, considera “uma pena o casino Oceano não ser recuperado, é um edifício tão bonito e foi tão importante noutros tempos...”. Pensa que “o Picadeiro modernizou-se, tem casas mais apetecíveis”, mas deixa o reparo: “o problema é a esplanada ainda estar em obras, espero que fique concluída em breve, e que a zona tenha uma animação ainda maior”.

Vera de Sousa e Matos - in O Figueirense - 2002/04/12


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