Serra da Boa Viagem

(...) Cabo Mondego e Serra da Boa Viagem Locais privilegiados de lazer

Pelas suas proximidades da cidade tornaram-se um local privilegiado de lazer e para educação ambiental. No entanto o desconhecimento da serra é enorme apesar da existência de trabalhos científicos de qualidade que têm sido publicados a nível nacional e internacional e dos esforços para a sua classificação como monumento natural.

O desconhecimento da serra e da sua flora tem ocasionado a abertura de estradas em zonas ricas de orquídeas selvagens e de outras espécies. Até ao incêndio de 1993 a mata era conhecida pelas suas frondosas árvores de grande porte com predomínio de pinheiros, eucaliptos e acácias. Mas nem sempre foi assim.

No início do século XX existiam apenas o carvalho português, medronheiros, carrasco e tojo etc.. Em 1914 o engenheiro Alberto Rei inicia a arborização e a reflorestação da serra com a plantação de árvores em toda a área pertencente ao Estado (Serviços Florestais) em que foram utilizadas espécies características dos climas mediterrânicos, atlânticos e até exóticas das Américas e Austrália embora predominassem os pinheiros e eucaliptos. A vegetação mediterrânica original desapareceu quase completamente.

O incêndio destruiu quase completamente a área arborizada que ficou despida sendo substituída por vegetação rasteira e acácias. Os Serviços Florestais entre 1994 e 1997 efectuaram diversas campanhas de reflorestação mas, só daqui a pelo menos 20 anos, poderemos voltar a fruir a sombra amena de árvores frondosas de grande porte.

Carlos Bettencourt - in A Voz da Figueira - 2003/03/20

Nota: grande parte das imagens apresentadas nesta página não correspondem totalmente à realidade face ao incêndio de 2 de Outubro de 2005.

«---»

A Serra da Boa Viagem

Era linda a nossa serra
Com a verdura a deslumbrar,
Mas o fogo deitou por terra
Essa beleza de encantar.

Paisagem maravilhosa,
Onde as chamas deram rumo
À viagem calamitosa
Que tudo desfez em fumo.

Ontem, de verde vestida,
Os nossos olhos cativou.
Hoje, a cinzas reduzida,
Triste imagem nos deixou.

No seu manto de carvão
Que agora vestiu forçada,
Faz-nos pena ao coração,
O cheiro a terra queimada.

Até o mar, agora sente
No seu peito aquele espinho.
Aos pés da serra doente,
Lágrimas, chora baixinho.

Depois de tamanhos danos
Com os incêndios florestais,
Que o caso de há doze anos
Não se repita… jamais.

Quem nos dera que este azar
Fosse apenas uma miragem,
Para o sitio não ficar,
A Serra da ‘‘má Viagem’’…

Rama Lyon


visitante(s) online