















|
Palácio Sotto Mayor
Para o historiador José Pires de Azevedo, Joaquim Sotto Maior
possuía um apurado senso estético, o qual, firmado no seu poder
económico, fez dele um verdadeiro mecenas de entre os dois séculos
em que viveu.
Sevivos fossem, bons depoimentos por certo dariam o grande
António Monteiro Ramalho ou o humilde António Ferreira da Piedade, o
escultor e crítico de arte Diogo de Macedo ou o mestre Joaquim
Lopes, o celoricense Othão Luís ou o arraiolense Dordio Gomes, entre
outros.
Além de memórias da passagem de quase todos esses, o Palácio
Sotto Maior ainda hoje encerra outras obras de arte de notável
apreço.
A Sociedade Figueira Praia, concessionária do Casino da Figueira,
adquiriu o imóvel em 1967. Conservou-o e perdurou-lhe a notoriedade,
convertendo-o em museu.
O andar nobre, andar social por excelência, é o segundo piso.
Quem no palácio entra pela porta principal dele, logo ali se
encontra. Trata-se do mais faustoso de todos os andares: fala a
linguagem do oiro.
Além do vestíbulo, são visitáveis, da esquerda para a direita, a
sala de visitas, o escritório do dono da casa, o patamar onde finda
a escada que vem de baixo, a sala de fumo, a sala de mesa; do lado
oposto, a copa, a sala de jogos, a sala de música, a sala de baile;
e, obviamente, o próprio corredor central, aonde vão dar,
directamente ou não, as principais divisões.
O vestíbulo: No tecto, ao centro, breve apontamento do pintor
António Ramalho (1858-1916), que presidiu a equipa decoradora do
prédio onde Joaquim Sotto Maior o instalou até fim de seus dias.
Pendente do tecto, bom candeeiro tronco-cónico, bronze e cristal
biselado, francês como todos ou quase todos os restantes do palácio.
Nas paredes, quatro telas de pintura histórica, obras de Joaquim
Lopes (1886-1956), mestre da Escola de Belas Artes do Porto.
Quatro cadeirões de espaldar direito e braços, assento e encosto
de sola lavrada (brasão e barco), género setecentista. Sobre o
bufete central, de torcidos e tremidos, tal como sobre coluna ao
ângulo direito, jarrões em cobre, de motivos exóticos: águas,
árvores e aves.
A sala de visitas: Tecto de António Ramalho. Grande lustre de
braços.
Nas paredes, cinco pinturas de Dórdio Gomes (1890-1976). Fogão de
sala, sobrepujado por grande espelho rematado por medalhão em
relevo. Sobre o entablamento, relógio "Raingo Frères-Paris", ladeado
por um par de candelabros de mão, da mesma fundição; conjuntos
semelhantes, embora mais modestos, franceses também, se mostram em
dois outros compartimentos do palácio.
No mobiliário encontramos um conjunto de canapé e cadeiras estilo
Luís XVI, forrado a veludo vermelho escuro; mesa central,
rectangular, fora de todo o conjunto.
Sobre esta, uma Gloria Victis, bronze assinado, do pintor e
escultor Antonin Mercie (1845-1916), saído da fundição Fernando
Barbedienne-Paris.
Escritório do dono da casa: Tecto de volumes, geométrico. Bom
lustre arte nova: braços em volutas, rematados por corolas;
pingentes poligonais e lobos espiralados. Paredes revestidas de
tapeçaria arte nova, vegetalista.
Mobília estilo inglês, incluindo relógio de caixa alta - máquina
"Mremie Girod. Porto in Coruna", e armário com alguns livros de
autores preferidos por Joaquim Sotto Maior: Abel Botelho e Camilo,
Coelho Neto e Junqueiro... A escrivaninha, grande cadeira de braços,
assento e encosto lavrados, século XVIII. Sobre o cofre primitivo,
retrato do dono da casa.
Em cavaletes, duas marinhas não-antigas: J. B. Wallace e Joannes
Ritter.
Neste compartimento, Sotto Maior trabalhava, administrando ou
praticando caridades.
Patamar: No tecto, outro apontamento de António Ramalho,
restaurado há pouco. Candelabro. Balaustrada ou varanda corrida,
sobre a escada de acesso ao piso inferior, com brasão esquemático;
bronze das oficinas "Schwartz-Hautmont, Paris".
Fotos: Jorge Dias
«---»
VISITAS:
Horário de Inverno:
Sextas e Sábados
das 14:00 às 18:00
Horário de Verão:
Abertura diária
das 09:00 às 18:00
Encerra às Segundas-feiras
Preço (visita):
1,00 € |