Paço de Maiorca

O Paço de Maiorca, distinta construção dos finais do século XVIII, apresenta-se como um dos mais notáveis edifícios de carácter civil do Baixo Mondego.

De planta rectangular, obedece à tendência paro desenvolver a fachada em comprimento, embora se não respeite uma perfeita simetria.

Pode ser apreciada, no seu exterior, uma longa e sóbria frontaria, constituída por três corpos, perfeitamente definidos através da inclusão na estrutura de pilastras, corpos estes que apresentam diferentes dimensões graças ao diferente número de janelas existentes nos dois corpos laterais. Em toda a sua extensão, a fachada é ainda recortado por janelas de cabeceira alta e verga curva, cujo desenho é, aliás, bastante característico da época.

Deste conjunto destaca-se ainda o corpo central que permite a entrada no andar nobre do Paço. Esta entrada é realizada através de uma elegante escadaria e portal com remate superior ondulado e interrompido / enriquecido com grinaldas e alguns motivos concheados, por sua vez encimado por um elegante frontão com a pedra de armas: escudo partido em pala, na 1° Cunhas; na 2° Melos. Coronel de nobreza.

Mas é o interior desta edificação que mais capta a atenção do visitante, particularmente o andar nobre e as diversas salas que o compõem.

Destaca-se desde logo a sala de entrada, conhecida por Salâo, espaço amplo e luminoso, de planta rectangular, cujas paredes são magnificamente decoradas por dez painéis de azulejos recortados, característicos da segunda metade do século XVIII.

Representam estes lambris nobres figuras de cavaleiros com as suas montadas, em azul sobre fundo branco e com cercadura concheada a manganês. O autor, talvez Sousa Carvalho, artista de Coimbra, pretendeu certamente reproduzir as ilustrações de um qualquer tratado de equitação, elaborando-as em metade do tamanho natural.

De referenciar ainda o imponente tecto do Salão: revestido a madeira, pintado com algumas representações mitológicas que, apesar do seu carácter algo rústico, não deixam de embelezar este nobre espaço.

Conhecida por Sala D. José, devido à existência aqui, durante longos anos, de um excelente retrato a óleo deste soberano, esta sala mantém o mesmo tipo de estrutura decorativa que a anterior, embora seja de menores dimensões: o tecto igualmente em madeira com pinturas e os lambris de azulejos.

Inicia-se uma nova tipologia, que se seguirá por outras salas do Paço, em que se aplicaram painéis de cabeceira lisa e não recortada, interligados por ornamentos, sobretudo de feição naturalista, semelhantes aos adoptados em Coimbra na sequência das obras pombalinas da Universidade, tendo como motivos fundamentais as paisagens, cenas campestres, cenas de caça, similitude que se verifica nas próprias cores utilizadas: manganês forte e diluído, azul e verde cobre.

Representam nove temas da vida quotidiana rural, onde se apresentam figuras humanas, animais e motivos vegetais, em cenas de pastoreio, ceifa, tosquia e refeição. Um décimo painel, colocado em parede individual, desvia-se totalmente desta temática, mostrando apenas uma figura feminina, que passeia no exterior da sua habitação.

A Sala Nobre não foge a esta aparente regra decorativa: nove painéis de azulejos, desta vez representando cenas de caça. A figura masculina comanda todas as operações, guia e incita os cães a atacar veados, javalis ou até um pequeno e desproporcionado elefante.

A Sala do Papel é caracterizada fundamentalmente por um novo e raro elemento decorativo que cobre grande parte das suas paredes: painéis em madeira revestidos a tela onde, por sua vez, foi colado um belíssimo papel pintado com motivos orientais, de que se destacam as figurinhas de elegantes aves exóticas e os motivos florais.

A completar esta profusa ornamentação, novo conjunto azulejar que cobre a parte inferior das paredes, para o qual não se optou por um tema figurativo, mas sim, por uma composição de carácter geometrizante, com azulejos de padrão "almofada", envolta por cercadura de grinaldas entrelaçadas.

Predominam aqui não a sobriedade mas sim a cor e a exuberância, que fornecem a este espaço uma indiscutível beleza e harmonia.

A última divisão desta ala, o Quarto de Hóspedes, apresenta apenas como motivos ornamentais três painéis de azulejos representando cenas marítimas e de portos, onde foram desenhados embarcações e portos comerciais setecentistas, servindo a paisagem urbana e como pano de fundo a estas composições.

A ala principal do Paço de Maiorca, virada a nascente, é separada por um corredor, cujas paredes incluem também rodapés e lambris de azulejos policromos, semelhantes aos da Sala do Papel.

O espaço arquitectónico virado a poente aparenta ser uma área de construção mais antiga, talvez iniciada nos finais do século XVII, mas onde o requinte e a riqueza de pormenor foram mais o aligeirados e simplificados, salvo numa ou noutra dependência que à frente se descrevem em pormenor. Será, pois, uma zona de quartos de menor dimensão e importância, que foram utilizados como quarto de vestir, de dormir, casa de banho, pequena copa e sala do telefone.

Somos então conduzidos à área central da casa e ao acesso à grande cozinha. Entramos num espaço que, aparentemente, sobreviveu à antiga Casa dos Coutinhos, construída em meados do século XIV e que antecede o actual Paço de Maiorca.

Este constitui um esplêndido espaço de planta octogonal, com uma grande lareira central, composta por chaminé apoiada numa larga base. Esta belíssima lareira apresenta-se decorada com silhares de azulejos representando cenas domésticas e um outro onde foram aplicados azulejos de padrão "almofada".

As paredes da cozinha ainda são profusamente ornadas com pequenos painéis representando vasos floridos isolados ou envolvendo os nichos de parede, bem como grinaldas que acompanham toda a estrutura parietal superior.

A comunicação com a pequena capela existente no Paço de Maiorca é realizada através de um pequeno hall, que permite igualmente o acesso ao Jardim de Repuxo e a outro andar. É igualmente ornado com cinco composições de azulejos recortados, representando temas do quotidiano, envolvidos por grinaldas e concheados, de grande exuberância, uma das características da produção artística coimbrã dos finais do século XVIII.

A capela ocupa uma área recatada da casa, tornando-se um espaço curioso por nela ter sido inserido um altar em pedra calcária, aparentemente do século XVI, de fabrico secundário mas de peculiar elegância e beleza. Estão representados neste oratório, S. João Baptista e S. Gregório Magno e, na predela. Santa Águeda, Santa Apolónia e Santa Luzia.

As paredes da sala são pintadas com cenas bíblicas e outras, pinturas ingénuas possivelmente realizadas por um dos proprietários da casa que ali se terá feito representar.

A capela dá acesso a um corredor que nos encaminha para duas salas com acabamentos e decoração mais recentes, a Sala Romântica e a Sala Nova, exceptuando-se uma área geralmente utilizada como sala de jantar e que segue a linha decorativa mais requintada da casa, isto é, a ornamentação com doze painéis de azulejos de temas da vida quotidiana e de trabalho, como o amanho da terra, a fiação ou o lazer.

O Paço de Maiorca é flanqueado por magníficos jardins, com predomínio das composições geométricas e labirínticas, inspiradas nos jardins franceses setecentistas, criteriosamente elaboradas com recurso a plantas de fácil recorte, bem como por uma extensa área agrícola dividida por terraços e caminhos.

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Paço de Maiorca
Maiorca
3080-476 Figueira da Foz
Telefone: 233 939 707

Abertura:
Todo o ano
(excepto 2ªs, 3ªs e feriados).

Horário:
09:00 - 12:30
14:00 - 17:30

Entrada:
Adultos: € 1,5.
Dos 12 aos 25 anos e
mais de 65 anos: € 0,75.
Visitas de estudo solicitadas por escolas: grátis.

O autor deste «site» agradece à Drª Isabel Henriques, Departamento de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, toda a colaboração prestada na elaboração desta página; agradece igualmente a permissão de reprodução do texto e das fotografias aqui constantes.


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