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Igreja Matriz de Lavos
A Igreja Matriz de Lavos, considerada uma das relíquias deste
concelho, vai entrar em obras faseadas, que se deverão prolongar
durante três anos. Todavia, para a concretização deste projecto e
apesar do apoio da autarquia, faltam milhares de euros e, por isso,
o “Conselho Económico” daquela freguesia pede à população um dia de
trabalho por ano.
A necessidade de obras da Igreja Matriz foi
notada há vários anos, mas foi a passagem de Santana Lopes pela
Figueira da Foz que ajudou a dar corpo à aspiração. O ex-autarca,
terá ficado “boquiaberto” com a arquitectura do templo e logo ali
prometeu desbloquear verbas para restaurar algumas igrejas, entre as
quais a de Lavos. A informação terá sido transmitida ao Bispo de
Coimbra, que teve de mandar efectuar um levantamento do estado das
igrejas.
Após uma reunião entre os párocos do concelho, concluiu-se,
segundo José Curado do Conselho Económico, que a de Lavos «era a
mais necessitada», e por isso, a autarquia, por solicitação da
diocese de Coimbra, desbloqueou cerca de 25 mil contos.
As obras deverão arrancar em Maio, e vão desenvolver-se por três
fases, a 1.ª contemplando todo o exterior, a 2.ª fase diz respeito à
parte de alvenaria, a parte interna e a 3.ª que contempla todas as
obras de arte, incluindo um órgão do século XVII. Esta será a fase
mais delicada, pois engloba ainda uma pintura de Pascal Parente (um
artista italiano que esteve em Lavos), obra que foi restaurada em
Lisboa em 1929, e que precisa de nova intervenção.
No total deverão ser necessários 400 mil euros (cerca de 80 mil
contos), e para além do apoio da autarquia, o Conselho Económico vai
«contactar as empresas locais», esperando também poder contar com o
contributo dos lavoenses. Um apelo, que, segundo José Curado vai ser
lançado, pedindo-se «que comparticipem com o valor de um dia de
trabalho», e se todos o fizerem, sustenta, «em cada ano vamos
receber cerca de 15 mil contos», que poderão contribuir para a
concretização da obra.
As primeiras igrejas construídas em Lavos foram destruídas pelas
areias que vinham do Atlântico, primeiro na Quinta de Lavalos e a
segunda, por volta de 1625, no Tojal junto aos armazéns. Por isso,
foi decidido erigir um novo templo em 1743, num local elevado que
tinha o nome da sua padroeira, Santa Luzia, que desde essa data
nunca mais teve qualquer intervenção de fundo.
A sua arquitectura interna «é fantástica», diz com entusiasmo
José Curado, que considera ser uma obra que os lavoenses, os
figueirenses e os portugueses «se devem orgulhar e conservar para
mostrar às gerações vindouras». Da mesma opinião é o presidente da
junta, José Figueiras, que realça a «beleza» do interior. Mas o
autarca estranha que «neste momento as obras não estejam já a
decorrer», recordando a verba desbloqueada em 2000 por Santana
Lopes.
Aliás, José Figueiras ainda estranha mais, «porque foi
precisamente esta igreja que despoletou a situação do
desbloqueamento da verba». No entanto, acrescenta que «mais vale
tarde do que nunca». Quanto à verba com que a junta vai apoiar, o
autarca diz que ainda não foi deliberado, mas que irá tentar através
da autarquia «que seja inscrita mais alguma verba no próprio
orçamente da junta para poder contribuir».
Bela Coutinho -
in Diário de Coimbra - 2002/03/20
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