Fonte de Tavarede
Fonte de tavarede, ex-libris de uma terra, onde tudo cheira a
limonete
É casta, límpida e pura,
E assim deves ser também.
É calada, e, se murmura,
Nunca diz mal de ninguém.
Esta é uma quadra do escritor figueirense Manuel Cardoso Martha,
perpetuada numa das paredes da Fonte de Tavarede.
Quem passar por Tavarede, sentirá o aroma do limonete. A história
traz-nos a lenda, da qual um cavaleiro cristão se apaixonou
perdidamente por uma linda moura, de seu nome Kadija, enfeitiçada
por seu pai, um guerreiro árabe, até que um príncipe pronunciasse
por três vezes "sois bela como o sol". E assim aconteceu, o
cavaleiro quebrou o feitiço, e acrescentou: "A terra para onde te
levar aquele que vier desencantar-te será uma terra aprazível,
opulenta de galos da natureza, rica de plantas aromáticas, entre as
quais uma de cheiro rústico e agradável, persistente e suave lhe
dará o nome e alcançará fama".
É essa mesma fama de que ainda hoje se orgulham os tavaredenses,
cientes da sua riqueza, cujo sangue fervilha quando se fala em três
coisas: o palácio, o gosto pelo teatro e a sua fonte.
A Fonte Municipal de Tavarede foi construída em 1876, e após
várias vicissitudes foi reconstruída em 1927, 1954 e 1993. A última
reconstrução segue-se a um período de encerramento que durou cerca
de 20 anos. Foi a Junta de Freguesia de Tavarede com a Câmara
Municipal que levaram a efeito a recuperação.
Manuel dos Santos só bebia água de
Tavarede
Manuel dos Santos, o matador de toiros que era visita assídua do
Coliseu Figueirense, sempre que vinha a lides à Figueira não deixava
de ir a Tavarede beber água. Mesmo quando enfrentava o touro, e
tinha necessidade de molhar a boca, fazia-o sempre com a água que
alguém da sua quadrilha vinha recolher a Tavarede.
Enfim, as coisa vão mudando, hoje as casas têm água canalizada,
todavia há em Tavarede quem, ainda hoje, não prescinda de beber água
da Fonte. Já não é usual levar a cântara de barro, já que a
"modernice" trocou-a pelo actual garrafão.
Perpetuar os que honraram Tavarede
Lugar de tradição mas também de cultura e honraria, a Fonte é
também lugar de inspiração. Mestre José Ribeiro inspirou-se na Fonte
de Tavarede para alguns escritos teatrais e retratou-os em algumas
peças que a Sociedade de Instrução Tavaredense levou à cena.
Mais tarde a Junta de Freguesia de Tavarede entendeu homenagear
algumas figuras nobres da localidade e escolheu a Fonte de Tavarede
para as perpetuar.
Rogério Neves -
in O Figueirense - 2001/02/16
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