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Castro de S. Olaia
No outeiro de Santa Olaia, a 3 Km a oeste de Montemor-o-Velho,
onde existe uma capela, encontram-se vestígios de uma estação
arqueológica. As escavações efectuadas entre 1915 a 1920, puseram
a descoberto restos de várias casas de planta rectangular, com cerca
de 3,5 metros por 2,5 metros, construídas com pequenas pedras
cimentadas com argila, correspondentes a três níveis sucessivos de
ocupação durante a Idade do Ferro, além de vestígios de construções
posteriores.
Alguns objectos dispersos atestam a ocupação durante o Neolítico,
embora não se tenham encontrado as habitações correspondentes.
Os objectos mais importantes recolhidos nos níveis da Idade do
ferro são cerca de 30 grandes potes reconstituídos e restos de muito
outros, em geral com asas circulares e por vezes pintados com faixas
horizontais e outros motivos a castanho, vermelho e branco,
característicos dos estabelecimentos ibero-púnicos, e dezenas de
tigelas, por vezes também pintadas, geralmente associadas aos potes,
julgando-se que serviriam de tampas dos mesmos, além de uma grande
variedade de cerâmica de outros tipos, e ainda numerosos cossoiros
de barro que atestam a importância da tecelagem.
Recolheram-se ainda várias fíbulas e outras peças de bronze,
cobre, chumbo e ferro, pesos de rede, representativos da actividade
piscatória, que deve Ter sido importante, contas de colar e outros
objectos de vidro e osso e ainda pequenos moinhos circulares e
vários objectos de pedra.
A alimentação dos habitantes encontra-se documentada por restos
de ovicaprídeos, bobídeos, coelhos, veados e javalis e por valvas de
ostras e de outros moluscos.
Num outeiro existente a cerca de 100 metros para nascente,
encontram-se também vestígios arqueológicos relacionados com os de
Santa Olaia, mas ainda pouco exploradas.
Carlos Leite
Ribeiro |