Centro de Artes e Espectáculos

Centro de Artes já tem literatura

Foi ontem (2005/09/02) aberta ao público a livraria do Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. Com a ocupação deste espaço conclui-se o processo de dar “vida” a este espaço.

A livraria do CAE abriu ontem (2005/09/02), ao fim do dia, as suas portas. Nuno Encarnação, o administrador delegado da Figueira Grande Turismo recordou que “há um ano, nenhum destes espaços estava ocupado”, referindo–se às salas situadas no rés–do–chão do centro.

Com a consciência de que “foram cumpridos os prazos”, Nuno Encarnação sublinhou que “cada um dos espaços foi pensado com cuidado” e com a preocupação de “captar novos públicos e dar vida ao Centro, mesmo nos dias em que não há espectáculos”.

Por seu lado, o presidente da câmara - que presidiu ao acto inaugural - considerou que neste momento o CAE ter “muitos meios de atracção e de lazer”. O autarca agradeceu depois o facto da administração ter cumprido os prazos a que se propôs para dar vida ao Centro.

Duarte Silva frisou que “tem havido uma actividade permanente neste” equipamento cultural, mas admitiu que a “habituação, leva tempo”, sobretudo, quando se trata de uma média cidade em que “fora dos seus períodos altos, há pouca gente” e, consequentemente, pouca procura.

Com esta inauguração, estão ocupados todos os espaços do rés–do–chão do CAE. À livraria, recorde–se, junta–se uma área a pensar no divertimento das crianças, um café, uma sala permanente de exposições, a sala Zé Penicheiro e, por fim, um espaço destinado ao serviço educativo.

Privados recusaram participar

Nuno Encarnação sublinhou a alegria dos que trabalham no CAE por se assistir à abertura deste espaço que, admitiu, “deu um bocadinho de trabalho”.

Apesar de terem sido contactadas “cinco empresas mais representativas do mercado nacional” para que explorassem a livraria, todas alegaram estarem “mais vocacionados para espaços em centros comerciais”.

Assim, sendo, não restou alternativa à administração do CAE avançar, sozinha para a exploração da livraria.

Neste pequeno espaço estão, para já, 350 títulos, tendo sido privilegiadas as áreas do “infantil e juvenil, a literatura, os destaques e a arte”, ou seja, “metade dos livros são dedicados às diversas áreas da arte”. A livraria está a trabalhar “com quatro distribuidoras”, e os livros são vendidos “a preços iguais ao restante mercado livreiro”.

Este novo espaço funciona diariamente, em dias da semana, até às 19H00 e aos fins–de–semana, às 20H00. Nas noites em que decorrem espectáculos, a administração assegura, também, a sua abertura.

Anabela Vaz - in As Beiras - 2005/09/03

Novos jardins embelezam o CAE.

Cerca de 12 toneladas de pedra (dos rios Tejo, Guadiana e Vouga) e dez variedades de plantas embelezam o “novo” jardim do Centro de Artes e Espectáculos. Uma renovação da responsabilidade de uma empresa de Leiria, especialista em arte floral e jardinagem cujo responsável tem, acima de tudo, paixão pela profissão.

Para Manuel Ferreira de Almeida as plantas não têm segredos. Lida com elas há décadas e quanto mais o faz, mais gosta da profissão que abraçou em 1967, quando estava em França e teve «a sorte de trabalhar com um moço que foi campeão do mundo arte floral». Dez anos depois muda-se para Portugal, cria a empresa “Flores do Liz, Comércio de Flores LDA”, em Leiria e a ela se tem dedicado (com a família e vários funcionários, num total de 12 pessoas).

Foi ele o responsável pela renovação do jardim do Centro de Artes e Espectáculos e o entusiasmo com que fala deste “desafio”, ajuda a perceber porque ficou tão bonito. Manuel de Almeida visitou o local, percebeu que o jardim, tal como estava «era impossível que tivesse um fim feliz, pois o clima era propício a doenças e as plantas que foram aconselhadas eram de exterior». Pior que isso, «exigia muita, muita manutenção e tinha tendência a ficar cada vez mais, em pior estado», e por isso, decidiu “agarrar” este desafio, partindo do princípio de que «se era um centro de artes, merecia ser bem elaborado e com simplicidade, pois na simplicidade, está a dificuldade».

Manuel de Almeida considera que, com esta renovação, acontece o «inverso do que era proposto, porque vai melhorando conforme as plantas vão crescendo», e a pedra que faz parte da decoração «vai sendo absorvida pelas plantas e flores», e sobretudo, adianta «não tem manutenção, bastarão umas quatro horas por ano e está sempre bonito».

Com algum orgulho, conta que das 10 variedades de plantas que escolheu para o local, «nenhuma se deu mal» e as esterlícias «começam já a florir», os cactos «crescem a bom ritmo», o mesmo acontecendo com as outras plantas. Quanto às pedras, foram utilizadas 12 toneladas, dos rios Guadiana (a pedra branca), do Vouga (tons alaranjados) e do Tejo (acinzentada), ou seja «cores existentes dentro do CAE, com tudo pensado ao pormenor, respeitando e enquadrando as plantas e elementos decorativos». Além disso, o “visual” pode ser alterado, pois «a pedra pode ser recolhida e voltada a aplicar em formas diferentes», até porque, «a cor não altera e dá luminosidade».

Manuel de Almeida acredita que, para se seguir esta profissão, «tem que se ser muito sensível, tentar respeitar os locais e gostos do cliente», e também «não parar, muito trabalho e muita formação, porque o “jeitinho” só, não chega». «Quando não se tem imaginação, tem-se transpiração». Quanto a preços, não tem dúvida, «as coisas são sempre caras na confecção», mas como «um jardim se cria para anos, se a estrutura for pensada para pouca manutenção, é ganhar dinheiro à partida».

Bela Coutinho - in Diário de Coimbra - 2005/09/10


visitante(s) online