Quim Barreiros nas Festas de Santo António

O largo da Misericórdia – Obra da Figueira recebeu duas noites de festejos em honra do casamenteiro Santo António, em que não faltou animação. A festa iniciou-se no passado dia 10 e o cheirinho das comidas típicas das tasquinhas alcançou narizes apurados que se apressaram a guardar lugares numa mesa bem servida. Estes foram dos festejos mais concorridos dos últimos anos.

Presentes estiveram casais retraídos, que preferiam tentar a sorte na quermesse, e outros mais desinibidos que dançavam ao ritmo da música do Conjunto Renascer e do Grupo Típico Tradicional de Cercal.

Segunda-feira foi a noite mais quente: abriram-se as portas e mais uma vez não faltou quem chegasse mais cedo para ganhar um lugarzinho para jantar. Ao som de Miguel Agostinho e de Canário e Amigos começou a animação e o aquecimento por parte dos presentes para o tão esperado Quim Barreiros. Mesmo em dia de trabalho largas centenas de pessoas não resistiram a entrar no recinto. Uns pelas entradas ‘oficiais’; outros, julgando ter de pagar algum tipo de bilhete, lá faziam grandes acrobacias e saltavam muros.

Assim que Quim Barreiros entrou em palco foi a euforia total, e para além de jovens e adultos, também os idosos sentados em cadeiras de rodas ou mesmo em pé mostraram aquilo de que são capazes e deram o seu “pezinho de dança”.

Para todos aqueles que não tiveram hipótese de ver o espectáculo, não se preocupem, “para o ano há mais e eu cá estarei”, disse Quim Barreiros.

Embora a chuva ameaçasse cair a qualquer momento, não faltaram pessoas para cumprir a tradição de Santo António, na passada terça-feira. Por volta das 15h30 iniciou-se a celebração da missa em que foram benzidos os pães e cravos que, como é tradição, foram mais tarde distribuídos. Por duas janelas passaram 1.500 cravos e outros tantos pães.

Como sempre, cada pessoa, munido das necessárias senhas, tinha direito a um pão e um cravo, mas nem por isto faltaram aqueles sem senhas que pedinchavam um pãozito ou um cravito. Para o ano será melhor, atempadamente, pedir uma senha, para que não voltem a ficar sem o abençoado pão de Santo António.

Andreia Costa - in O Figueirense - 2006/06/19

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A Tradição do Pão

Segundo a tradição o pão abençoado não apodrece, e quem o guarda de um ano para o outro disso mesmo dá testemunho. Para abençoar a família ou comprovar o "milagre", é hábito comer, na manhã de 13 de Junho, o pão que, há exactamente um ano, se guarda num pano de linho.

A fé não encontra explicação nos ingredientes: a empresa garante que cada pão, de 125 gramas, é em tudo igual aos pães saloios de todos os dias, à excepção do formato, especialmente guardado para este dia.

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O arraial de Santo António

Começa a tocar o harmónio
Para a festa abrilhantar,
É noite de Santo António,
Siga a roda sem parar.

E o povo na reinação
Dá largas à brincadeira
Aquecendo o coração
À volta duma fogueira.

A solteirona está ao canto
Com semblante bem matreiro
Para ver se chega o santo,
E se ele é casamenteiro.

Até a lua dá um jeitinho
Iluminando o bailarico,
Onde paira um cheirinho
Das folhas do manjerico.

No meio desta agitação,
Segue a marcha alegremente,
A noitada é uma canção,
Tudo baila minha gente.

Mais um foguete p’ró ar,
Mais uma sardinha assada,
Mais um tinto a refrescar
Os calores desta noitada.

Só a aurora põe um final
A este grande pandemónio
E a malta finda o arraial,
A dar graças a Santo António.

Rama Lyon

Nota: as imagens incluídas nesta página foram obtidas na noite de 12 de Junho de 2006.


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