Garraiada no Coliseu

Como é tradição, a academia coimbrã rumou ontem (2006/05/07) à Figueira da Foz, proporcionando uma grande assistência no Coliseu Figueirense, onde, na arena, como nas bancadas, foram vividos momentos de grande alegria e emoção.

Quase que se poderia dizer que os estudantes de Coimbra estavam ontem no Coliseu, mas, passando o exagero, a garraiada deste ano contou com uma invejável assistência que praticamente lotou o espaço. Sem problemas de maior a registar, os finalistas gozaram pela última vez as emoções de enfrentarem os novilhos, em momentos para mais tarde recordar, com mais ou menos saudade.

São precisamente os estudantes que se preparam para acabar os seus cursos os que primeiro pisam a arena, dando merecidas voltas de triunfo, com a alegria ou a emoção estampadas no rosto, enquanto são saudados pelos familiares. Uma a uma, cada faculdade mostra ao resto da academia os seus próximos licenciados, num dos momentos mais esperados desde o dia em que se ingressa na Universidade.

Mas a tarde é também de toiros e, estes, por vezes descontentes com lides menos experientes, preferem ir embora. Ontem não foi diferente e um dos animais resolveu saltar para dentro das barreiras, provocando alguns arrepios, mas sem grandes consequências físicas para nenhum dos elementos que ali se encontravam.

Como habitualmente, os estudantes mostraram-se generosos nos aplausos, mas também críticos quando necessário. Neste aspecto, os grupos de forcados receberam sempre bastantes palmas e gritos de incentivos, assim como os cavaleiros, apesar de alguns movimentos menos bem conseguidos terem sido brindados com apupos e assobios.

Depois de muitos terem tido uma noite e dia bem bebidos, a alegria foi uma constante, contagiando os restantes e proporcionando uma bela tarde de animação, com o espectáculo das fitas dos finalistas e a tourada, mas especialmente com a garraiada que encerra a festa.

A parte final da festa é sempre a mais esperada. A organização proporciona as vacas e os novilhos, enquanto os estudantes dão o corpo ao manifesto, perante o gáudio de quem assiste às tropelias. Mais assustados do que propriamente perigosos, os animais fazem pela vida perante centenas de foliões e conseguem fazer alguns estragos, umas vezes coroados com gritos de aflição e outras com gargalhadas sonoras.

No meio disto tudo, há espaço ainda para os palhaços, que inauguram a brincadeira com lides de cair da cadeira a rir, usando do humor para ajudar a alegrar ainda mais a tarde.

José Carlos Salgueiro – in Diário de Coimbra – 2006/05/08

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Mais uma garraiada...

Desde 1903 que a Queima da Fitas da Universidade de Coimbra vem à Figueira da Foz.

Com carroças puxadas a cavalo percorria-se a cidade a caminho do Coliseu Figueirense. Era importante a vinda à cidade-praia realizar a garraiada.

Durante anos, as filarmónicas Figueirense e Dez de Agosto abrilhantaram este espectáculo de multidão, coloridos a negro pela capas dos estudantes. A tradição repetiu-se sucessivos anos.

Depois deixou de se realizar. Passaram-se também largos anos que a Figueira não viu a animação própria dos jovens numa tarde marialva que sempre acciona o circuito comercial e que mancha de preto as ruas e a praia, para não falar no redondel figueirense e toda a zona envolvente – o típico Alto do Viso.

No final da década de 70 regressaram os estudantes. A tradição reatou-se!

No passado domingo (2006/05/07) a Praça de Toiros da Figueira da Foz voltou a receber milhares de estudantes que assim cumpriram o programa da Queima onde se inscreve a garraiada.

A Filarmónica Dez de Agosto voltou a interpretar os pasodobles toureros e a reviver velhos tempos, agora com outros estudantes...

Jorge Lé


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