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Filarmónica Dez de Agosto recriou “Serração da Velha”
A Sociedade Filarmónica Dez de Agosto reviveu de novo sábado à
noite, o “Auto da Serração da Velha”, apesar «da falta de apoios».
Uma antiga tradição em que são tecidas diversas críticas à política
nacional e local, que juntou muitas dezenas de pessoas no Largo S.
João do Vale.
Todos os anos, há décadas, que é assim. Pela altura da Quaresma,
a Sociedade Filarmónica Dez de Agosto leva à cena o “Auto de
Serração da Velha”, o julgamento de uma alcoviteira, que é acusada
de ter o hábito de andar a espalhar “boatos”.
Só que, nos últimos seis anos, a centenária colectividade decidiu
sair à rua e fazer a representação no Largo S. João do Vale, uma das
zonas mais antigas da cidade, onde se costuma juntar muita gente,
para umas sonoras gargalhadas.
No “tribunal” improvisado, são lidas as acusações, que este ano
passavam por a ré andar a dizer que o Santana Lopes vai ser «um
desempregado político de longa duração», ao que o advogado de defesa
ripostava: «até parece brincadeira / se mais tachos não houver /
há-de voltar à Figueira».
Mas a “velha” também andaria a dizer que «o verdadeiro presidente
da câmara é o Lídio Lopes», e o causídico defendia «pedindo respeito
pelo presidente do concelho / porque quem manda / é o Paulo Pereira
Coelho», entre outras “bocas”.
O juiz decide então condenar a “alcoviteira” e esta, à laia de
despedida, oferece aos políticos nacionais, locais e outros, os seus
“bens”, a saber: «ao eng. Duarte Silva / homem de vestir elegante /
deixo o código processual / e um hotel no galante», a Nuno
Encarnação «que a cultura vem amando / deixo um lugar de destaque /
na Ópera do Malandro», a Paulo Pereira Coelho «despedido sem piedade
/ um belo dum tacho / na câmara da cidade», à Teresa Machado
«vereadora bem zelosa / um papel de Nossa Senhora / no presépio da
Teimosa», e por aí fora.
No final, a presidente da Dez de Agosto considerou que a
representação deste ano, «foi extremamente positiva, com mais gente
que em anos anteriores», apesar de admitir que «tivemos sorte com o
tempo».
No entanto, Susana Sousa não deixa de lamentar a falta de apoios,
pois este ano «nem resposta ao nosso pedido tivemos, o que é
estranho», sublinhou, salvaguardando a cedência de palco por parte
da FGT.
«É uma festa fora de portas e a câmara e junta de freguesia
deviam apoiar», sustenta, e apesar dos «gastos não serem muitos, o
que nos vale é que para o baile (que se realizou a seguir), foi
animado por uns amigos, os “Home Page Trio” que não levam muito
dinheiro.
Mesmo assim, fica a promessa de para o ano a tradição voltar a
repetir-se, mas antes, já no dia 26 de Março, a colectividade revive
outra tradição, a do enterro do bacalhau.
Bela Coutinho - in Diário de Coimbra - 2005/03/14
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Nota: as imagens desta página ilustram a encenação da "Serração
da Velha", no Largo de S. João do Vale, na noite do dia 12 de Março
de 2005, pela Sociedade Filarmónica 10 de Agosto.
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