Auto dos reis lotou Centro de Artes

Um dia antes do espectáculo, já havia lotação esgotada para a estreia absoluta do auto dos reis no Centro de Artes. A organização ficou surpreendida.

Pela primeira vez na história da Sociedade Filarmónica Dez de Agosto, o auto dos reis magos saiu da sua sede.

E a direcção não tem motivos para se arrepender por ter quebrado a tradição. Pelo contrário, um dia antes da representação teatral, os 800 lugares da grande auditório do Centro de Artes e Espectáculos (CAE) já estavam reservados.

“O segredo do sucesso deve–se ao grande empenho da direcção (da Dez de Agosto). Sobretudo devido à publicidade que fizemos ao evento”, sublinha Susana Sousa, presidente da direcção daquela colectividade figueirense.

Classificando “impensável” a aventura no CAE, aquela responsável realça que a resposta do público confirma que a tradição está viva.

A ideia de levar o espectáculo, cuja tradição é mais antiga do que a memória dos mais velhos, foi da vereadora Teresa Machado. A direcção da colectividade aceitou, sem hesitar, o repto.

Agora, até já pensa em repetir o sucesso da noite do passado dia 5 na próxima representação do presépio.

Seis reis e um presépio

A entrada grátis poderá ter contribuído para a lotação da maior sala de espectáculos da cidade. Mas o que conta são os números, e esses são elucidativos do interesse que os figueirenses emprestam a uma das suas mais emblemáticas tradições.

A prova disso foi, aliás, a presença de largas dezenas de pessoas que assistiram, momentos antes, ao encontro dos reis magos da Dez da Agosto e da Filarmónica Figueirense. Que ocorreu no lugar do costume, em frente ao presépio montado na Praça 8 de Maio. Depois, a Figueirense foi para a sua sede e a Dez de Agosto para o CAE.

Antes de chegarem à lapinha, porém, cada um dos grupos de reis magos fez o seu percurso habitual, com duração de cerca de uma hora. Apesar do frio, os figueirenses não deixaram de sair à rua para lhes darem as boas–vindas.

E os mais pequenos tinham , como vem sendo hábito, motivos acrescidos, ou não tivessem eles direito a chocolate e rebuçados.

Tradição com raízes

A instalação do presépio na Praça 8 de Maio é das partes mais recentes da espera dos reis magos. A estrutura foi montada pelo primeira vez em 1997. Altura em que a pequenada, que não rende particular culto ao incenso, mirra e ouro, começou a ser contemplada pela distribuição de guloseimas, feita pelos reis “vindos” do Oriente, montados nos seus cavalos.

A ideia foi bem acolhida pela população. Afirma quem se lembra que até àquela data o espectáculo era penalizado pela falta de público.

O cortejo dos reis e a deposição das oferendas é inspirada nos tempos em que as crianças espreitavam para o interior das casas dos figueirenses abastados, para se deslumbrarem com os presépios que lá estavam instalados.

A falta de estatura dos garotos, aliada à presença massiva de curiosos adultos, que os impediam de apreciar a representação do nascimento de Jesus Cristo, era compensada por escadas de madeira, ou pelas árvores mais próximas das habitações.

As escadas ainda hoje fazem parte dos adereços que “decoram” o espectáculo da espera dos reis magos.

Jot'Alves - in As Beiras - 2005/01/07


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