Êxito
histórico da Dez D' Agosto: Reis Magos mobilizaram a
Figueira
Reis,
archotes, escadas, frio e tradição. Na noite de 5 de
Janeiro (de 2005), as principais ruas da Figueira da Foz
voltaram a ver os cortejos dos Reis Magos.
Com
encontro para a visitação na Praça 8 de Maio, um costume
que remonta apenas a 1997 mas que fez actualizar a secular
tradição, os corsos reais da Sociedade
Filarmónica Figueirense e Sociedade
Filarmónica Dez D' Agosto saíram de pontos opostos da
cidade para cumprirem este velho hábito que fecha a época
natalícia.
Estas
colectividades, principais impulsionadoras que preservam
este património cultural, fizeram vir à rua centenas de
pessoas, muitas eram crianças, que garantem a continuidade
do evento.
Depois das
oferendas e quadras feitas ao Menino Jesus, os cortejos
seguiram, um para a sede da centenária
"Figueirense" e o outro, experimentando ruas nunca
usadas, fez o trajecto para o Centro de Artes de
Espectáculos (CAE), para a representação que teve
lotação esgotada.
Cerca de
800 pessoas assistiram à peça do Auto dos Reis Magos, que
teve a participação especial da cantora Andreia Machado.
Para Susana
Sousa, presidente da Dez D' Agosto, "foi notável o
número de pessoas que num dia de semana se deslocou ao CAE,
esgotando-o por completo ".
Jorge Lé
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Um pouco
de história
A Sociedade
Filarmónica Dez de Agosto, fundada a 10 de Agosto de 1880,
volta a trazer à cena, uma vez mais, o tradicional Auto dos
Reis Magos".
Prestigiados
autores figueirenses, tais como Pedro Fernandes Tomás,
Cardoso Marta, Augusto Pinto, Armando Coimbra e Maurício
Pinto, entre outros, procuraram as origens e significado
desta tradição [a par dos "Autos Pastoris", auto
natalício que antecede este].
Pensa-se
que esta tradição remonta aos finais do século XVII,
inícios de XVIII, e que a sua origem estará nos Mistérios
ou Milagres que se representavam nas Igrejas desde a Idade
Média ou nos autos de Gil Vicente.
O
"armazém", "cardenho" ou
"palheiro", iluminado a velas, azeite e, mais
tarde, a acetileno, era o local característico para esta
representação.
Contudo, e
segundo alguns autores, nas casas mais abastadas o auto
representava-se em privado e era costume os rapazolas do
povo, para poderem espreitar pelas janelas, utilizarem
escadas que colocavam pelo exterior.
É por isso
que ainda hoje são muitas as pessoas que envergam escadas
no cortejo da Espera dos Reis, numa evocação àqueles
tempos.
Neste
sentido, a Sociedade Filarmónica Dez de Agosto tem
desenvolvido todos os esforços e mantém firme os seus
propósitos de contribuir para a preservação do
património cultural e popular da cidade e do concelho da
Figueira da Foz.
Com a
colaboração da Dra. Natércia
Crisanto
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