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FestiMaiorca
encheu Terreiro do Paço. A amizade e a fraternidade no
Folclore.
O
FestiMaiorca é o sinal de que o Verão está à porta e a
Figueira da Foz enche-se de gente. Foi o que aconteceu no
passado sábado (2005/07/09), primeiro com o desfile do
FestiMaiorca nas ruas da cidade (...) e depois no Largo do
Terreiro do Paço cheio de gente para assistir ao festival
de folclore com uma noite extraordinária.
Este
FestiMaiorca 2005 foi a 31.ª edição de um projecto
cultural que se iniciou em 1975 e que todos os anos é
esperado com enorme expectativa por um público fiel que tem
acompanhado este evento ao longo de mais de três décadas,
na ânsia de conhecer sempre, através do folclore, novos
usos e costumes de outros povos do mundo.
A riqueza
do Folclore espalhada pelo universo, tem permitido para
além da troca de experiências e vivências, uma amizade
fraterna entre gente de vários continentes, que se vão
cruzando por esse mundo fora. Maiorca é também um destino
dessa rota mundial, onde em Julho está marcado o melhor
festival de folclore do país, graças à boa vontade de um
grupo de pessoas que "teima" em divulgar Portugal
e a Figueira da Foz através do Folclore, dos usos e
costumes de uma região tradicional rica em saber receber e
cativar aqueles que nos visitam.
O
FestiMaiorca já é um marco de referência que há muito
ultrapassou as barreiras da Europa, da Ásia e da América e
começa a ser conhecido em África e na Oceânia. António
Maia Cardoso, coordenador do evento desde a primeira
edição, não descansa enquanto não garante o festival
seguinte. Assim tem sido, assim vai continuar a ser, sempre
a pensar no engrandecimento de Maiorca e da Figueira da Foz
e no enriquecimento cultural do povo.
Mas este
festival organizado pela Casa do Povo de Maiorca tem ainda a
particularidade de unir os maiorquenses em torno de um
projecto que lhes é querido que, para além de colaborarem,
ainda abrem as suas portas para receber durante alguns dias
os membros dos grupos e com eles trocarem experiências e
saberes, dai a grandeza humana deste encontro que estreita
laços de fraternidade, cria novas amizades e conhecimento
do mundo.
Por razões
de transporte, os grupos da Ucrânia e Lituânia não
chegaram a tempo de participarem no desfile na Figueira da
Foz, mas à noite exibiram-se em Maiorca, com a
particularidade de arrastarem com eles alguns conterrâneos
imigrados em Portugal, que vieram até ao Baixo-Mondego
reviver a sua cultura, tal como aconteceu com os nossos
ranchos quando, a partir do final da década 60, começaram
a percorrer a Europa.
Por tudo
isto, Festimaiorca é folclore e música, é cultura,
amizade e fraternidade e exemplo disso é o grupo "Prolisok"
da Ucrânia, constituído por estudantes de várias
faculdades da Universidade Pedagógica de Drohobych, está
na lista dos dez melhores conjunto folclóricos do mundo,
com danças e canções do povo ucraniano e largo
aproveitamento do folclore do território dos Cárpatos e de
outras regiões do país.
Les Ballets
Tchamba, de Lomé (Togo) não passaram despercebidos na
Figueira da Foz e nem em Maiorca, assombram pela sua
habilidade e coreografia com os pernaltas em andas de 3 a 6
metros de altura, fazendo reviver as danças e costumes dos
seus ancestrais togoleses.
De Vilnius,
chega o "Vilnis", composta por bailadores, tocata
de música de folclore e cantadores, todos componentes que
já pertenceram a vários conjuntos estudantis e a maioria
foram alunos da Universidade Técnica "Gediminas",
da capital, Vilnius.
Mas o
FestiMaiorca não ficou só por aqui. Rica foi a componente
nacional que nos mostrou a garridice das gentes do Grupo
Académico de Danças Ribatejanas, de Santarém, a "branqueta"
dos pescadores da Póvoa de Varzim a dançarem as chulas e
os viras, os vistosos trajes minhotos do Grupo Folclórico
de São Torcato (Guimarães), as gentes da região vareira,
pelo Grupo Folclórico "Os Moliceiros de Ovar",
com as tiranas, cana verde, rusga e catrapuzana (mandada), e
as modas de roda tradicionais, de inspiração comunitária,
que foram apresentadas pelo anfitrião Rancho Folclórico da
Casa do Povo de Maiorca.
José
Santos - in Diário de Coimbra - 2005/07/11
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