Tasquinhas e expositor de Sal foram um sucesso

As Festas da Cidade encerraram em grande, este domingo (3 de Julho de 2005), com o "cair do pano" na Feira das Freguesias, um evento que saciou os prazeres da boca. Além dos milhares de pessoas que passaram pelas tasquinhas, o expositor dedicado ao sal foi um enorme sucesso, tendo as vendas esgotado o sal disponibilizado para o efeito. Entretanto, a candidatura da autarquia ao Interreg, projecto europeu para dinamizar as saliculturas, está a dar frutos, estando a decorrer o processo de certificação do sal marinho da Figueira.

À semelhança da noite de S. João que cativou milhares de pessoas, também a Feira das Freguesias teve uma forte adesão da população. Pelo espaço da Praça da Europa, milhares de pessoas saciaram os apelos da "barriguinha" e desfrutaram também dos momentos de animação diária, proporcionados por diversos grupos de colectividades do concelho.

Segundo Nuno Encarnação, esta edição "consolidou o evento", adiantando que, de acordo com os presidentes de junta "estiveram muito mais pessoas do que no ano anterior". Numa "altura de crise", este é um dado que "agrada", afirma o administrador da Figueira Grande Turismo, acrescentando que "é sinal que é mais uma aposta ganha da autarquia" para dinamizar. Nuno Encarnação salienta a importância de se "manter os pratos típicos de cada freguesia", pois é essa gastronomia tradicional que marca a diferença.

Mas o que se revelou um verdadeiro sucesso foi o expositor de sal, uma novidade da autarquia para "sensibilizar as pessoas para uma actividade que há muito está esquecida" e para "motivar para o Festival do Sal", sublinhou Teresa Machado, vereadora da cultura. O festival, que vai decorrer de 13 a 15 de Agosto, insere-se no projecto europeu SAL a que a autarquia aderiu, ao abrigo do programa Interreg, e que vai de encontro à pretensão do município de revitalizar as saliculturas.

A "necessidade de voltar a dinamizar as salinas e dignificar aquela profissão que empregava em tempos cerca de 2.000 pessoas" foi uma das mensagens que a câmara quis transmitir com este stand na feira, onde estiveram presentes vários painéis elucidativos, instrumentos utilizados pelos marnotos, bem como sal para venda, tanto da Marinha da Cobra, pertença da autarquia, como de produtores que cederam à Foz Sal, associação que os representa.

Não pelo lucro mas pela "sensibilização", Teresa Machado salienta que esta aposta da autarquia foi um "grande sucesso, pois as pessoas foram sensíveis ao facto daquele sal ser da Figueira". Esta responsável sustenta que "os produtores estão a ser muito receptivos, estão a ver uma hipótese de ver o seu trabalho reconhecido sob o ponto de vista moral e económico".

Quase uma tonelada de sal vendido

Expectativa que José Canas, presidente da Foz Sal, confirma, reiterando que a participação na Feira das Freguesias teve um "êxito que não se esperava". Revela que esgotou. No total, entre o sal doado por 14 produtores e o da autarquia foram "vendidos cerca de 900 quilos" de sal, em pequenas embalagens de saco de ráfia onde foram colocadas etiquetas identificativas do produtor e da respectiva salina.

José Canas realça a particularidade de vários estrangeiros (Canadá, França, Luxemburgo, Alemanha) se terem interessado e comprado, adiantando que o sal marinho, produzido noutros países, é vendido "caríssimo". Em Portugal, o sal marinho, com qualidade superior reconhecida face ao sal de mina, é produzido apenas na Figueira, Aveiro e Algarve. O preço é aliás o "calcanhar de Aquiles" dos produtores figueirenses, pois as despesas de produção são bem superiores às receitas.

Para contrariar a decadência em que caíram as salinas do concelho, apenas 50 se encontram no activo, é vital a certificação que há tanto se anseia. "Só há essa solução para não acabar tudo, porque os marnotos têm todos mais de 50 anos de idade e a juventude não continua se não for rentável", justifica José Canas, satisfeito por, ao abrigo da candidatura que a câmara integra, se ter iniciado o processo de certificação. "Traz qualidade porque se fazem análises e acompanha-se a produção e isso aumenta o preço. É bom para o produtor mas também para o consumidor porque é uma garantia de qualidade", explica, adiantando que já há 27 produtores figueirenses inscritos para obter essa certificação.

Para passar esse "selo de qualidade", equipas fazem auditorias e análises, acompanhando todo o processo de produção de sal, sendo necessários preencher vários requisitos ligados a limpeza, utilização de utensílios em madeira ou inox e cuidados de armazenamento. Só depois é que serão apresentados quais os produtores que obtêm a certificação, pelo que a decisão só deverá chegar no próximo ano. Mas, para já, a divulgação "está a ajudar", refere José Canas que lança ainda um desafio aos marnotos para dinamizar o sector: começar a fabricar a flor de sal (cristal que tem a forma de delgadíssimas palhetas feita à superfície das salinas, ideal para ir à mesa), cujo preço elevado é bom para o produtor.

Arlete Silva - in A Voz da Figueira - 2005/07/07


visitante(s) online