Festejos em Buarcos arrastam multidões

A expressão de fé a Nossa Senhora da Encarnação, em romaria, remonta pelo menos ao século XVII, quando gentes de várias zonas, vinham no final das colheitas a banhos e eram surpreendidos pela celebração litúrgica do nascimento de Nossa Senhora, a 8 de Setembro.

Mas a grande devoção dos pescadores pela Virgem Maria, começou em finais do século XVIII e acabaria por se estender a toda a comunidade piscatória.

Eram conhecidos como os “banhistas de alforge”, porque, no fim das colheitas vinham a banhos, carregados com alforges com os mantimentos e eram «surpreendidos pela celebração litúrgica do nascimento de Nossa Senhora», a 8 de Setembro, pois a capela situa-se a meio da encosta a caminho da Serra.

Por isso, explicou (...) o padre de Buarcos Carlos de Noronha, «Nossa Senhora da Encarnação não é evocação dos pescadores, é primeiro descoberta pelos romeiros», e apesar dos poucos escritos sobre esta questão, esta romaria remonta «pelo menos do século XVII».

São os romeiros «que trazem dos locais de onde vivem a devoção a Nossa Senhora», e mais tarde, já em finais do século XVIII. «Depois de um fluxo razoável de romarias orientadas pelo Santuário da Senhora da Encarnação», se começou a estabelecer o costume dos pescadores lhe manifestarem o seu agradecimento.

Antes de partirem para o mar, à pesca do bacalhau, iam à festa litúrgica de Nossa Senhora da Boa Viagem, a 2 de Fevereiro, «pedir boa viagem», e quando regressavam «iam à Nossa Senhora da Encarnação agradecer a boa viagem e a boa pescaria», refere Carlos Noronha, que salienta que foi «a partir daí, quando começaram a aproximar-se do Santuário com este agradecimento que os outros pescadores daqui começaram a olhar de outra forma para aquele espaço de culto».

Uma devoção que mais tarde se estendeu aos pescadores de traineira e arrasto, ao ponto de, em cada início de safra, (na primeira vez que iam ao mar), «voltarem o barco para a capela da Senhora da Encarnação e rezarem uma ave-Maria», porque até aí, os pescadores tinham grande devoção a Nossa Senhora da Conceição, mas não a Nossa Senhora da Encarnação.

Um dos pontos altos dos festejos religiosos é vivido (...) com a procissão da noite, em que cada ano é desenvolvido um tema, acção desenvolvida pelo padre de Buarcos, que este ano (2005) escolheu para reflexão “O olhar da nossa devoção”, que é desenvolvido no decorrer de sete paragens ou de sete passos, cada um dedicado a um santo.

Assim, este ano (2005), as paragens vão ser com «imagens e figuras mais emblemáticas daqui», designadamente Santo Amaro e São Paio de Coimbra, imagens da Serra da Boa Viagem, S. João e Santo António (da Figueira), S. Pedro (de Buarcos), S. Martinho (de Tavarede) e S. Pedro Telmo que foi o primeiro padroeiro de Buarcos e tido como o grande patrono dos homens do mar.

Bela Coutinho - in Diário de Coimbra - 2005/09/08

Nota: as imagens desta página ilustram a procissão em honra de Nª Srª da Encarnação, pelas ruas de Buarcos na tarde do passado Domingo, 11 de Setembro de 2005.


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