Carne já pode voltar à mesa

A Dez de Agosto enterrou o bacalhau. O desfile percorreu toda a cidade da Figueira, na noite de sábado (2005/03/26).

Esta tradição que saúda o final da Quaresma e o impedimento de se comer carne, saiu mais uma vez à rua, numa iniciativa da Sociedade Filarmónica Dez de Agosto.

Pelo segundo ano consecutivo, um dori, cedido pela Empresa Figueirense de Pesca marcou presença no cortejo.

A presidente da colectividade, Susana Sousa fez questão de “agradecer à câmara, e em particular ao vereador das colectividades, por ter cedido, há ultima hora, uma carrinha capaz de transportar a embarcação de pesca”.

De acordo com aquela dirigente este ano o cortejo fúnebre contou com a presença de cerca de 50 pessoas, entre figurantes e músicos.

Como a Rua da República está em obras, o cortejo desfilou pela Rua Fernandes Tomás, onde se fez a primeira paragem. Outras se seguiram, no Mercado, no Casino, no Viso, no Jardim, na Praça 8 de Maio e, por último em S. João do Vale, cumprindo–se, assim, um percurso com cerca de seis quilómetros.

Com um investimento de cerca de 950 euros, a Dez de Agosto espera um apoio da câmara municipal.

O “discurso” da autoria de Ricardo Santos foi lido por Alfredo Lopes que, em cada paragem, foi desfiando versos de crítica política e social:

“Vamos ter uma baixa mais galante / vai toda a gente andar a pé / para ficar mais elegante”, ainda sobre as obras: “P’ra mim que sou má língua / com tanta alteração já feita / já ninguém sabe onde fica / a esquerda e a direita”. E a política: “Será o Eng. Duarte Silva / que a eleição vai ganhar? / levando os assessores / consigo no seu side–car?”; “Ou será um tal Luís Marinho / que ninguém conhece / mas o PS ao que parece / insiste em pôr no caminho?”.

Anabela Vaz - in As Beiras - 2005/03/28


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