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No passado dia 21 de Agosto de 2004, o Coliseu Figueirense (quase) encheu para assistir a mais uma noite de tourada de grande nível.

Actuaram os cavaleiros João R. Telles e Luis Rouxinol, para além de duas figuras destacadas do toureio apeado: José Luís Gonçalves e Pedrito de Portugal.

Actuaram ainda os Forcados Amadores de Santarém e em praça estiveram sete toiros (3 Lopo de Carvalho e 4 São Torcato).

No intervalo da corrida foram homenageadas as Filarmónicas Figueirense e Dez de Agosto com o descerramento de uma placa onde se pode ler: "Homenagem do Coliseu Figueirense SA à Sociedade Filarmónica Figueirense e à Sociedade Filarmónica Dez D'Agosto, presenças musicais nesta praça desde 1895. 21 de Agosto de 2004".

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Filarmónicas Figueirense e Dez de Agosto homenageadas

Fundada em 5 de Julho de 1842, a Filarmónica Figueirense tem incentivado a música, estando a sua filarmónica, com actividade ininterrupta ao longo destes anos, ligada às inaugurações importantes da cidade, como por exemplo ao ramal do caminho-de-ferro, Coliseu Figueirense, Casino da Figueira, Grande Hotel da Figueira, Ponte sobre o Mondego, Estátua do Centenário, entre outros.

A sua ligação à arte dos sons faz com que a colectividade guarde um dos mais importantes espólios musicais locais – o arquivo do maestro Herculano Rocha, patente na sua sala-museu. Musicalmente a abrilhantar corridas de toiros desde 1895, esta filarmónica interpretou pasodobles toureros para os maiores nomes da tauromaquia e, por exemplo, Ricardo Chibanga ou Joaquim Bastinhas já lhe dedicaram faenas. Seria impossível narrar todos os feitos e as actividades, mas poder-se-ão destacar os nomes dos fundadores: João José da Costa, José Lucas da Costa, Manuel da Silva Torres, Francisco Correia da Cruz e José Adelino Ferreira da Silva.

Foi primeiro regente da filarmónica Abinadab Nunes da Silva. Nos últimos 50 anos, António Campos, José Maria Ferreira e, actualmente, Carlos Cardanho, dirigiram esta banda civil. Durante décadas contou com o que foi considerado o seu instrumenista mais antigo, o trombonista José Maria Mendes Curado, emblemático filarmónico, sem esquecer inúmeros nomes, tal como o músico Joaquim de Jesus (clarinetista), recentemente falecido e que durante décadas também integrou a filarmónica.

A Filarmónica Figueirense tem actualmente como presidente da direcção, Eugénio Ferreira.

Por outro lado, a colectividade da Rua das Rosas é uma das mais importantes agremiações pela sua postura e trabalho em prol da preservação da cultura figueirense.

Para além dos Autos Pastoris e Auto dos Reis Magos, a “Teimosa”, como também é conhecida, marca anualmente a sua presença em tradições tão populares, como o Enterro do Bacalhau, tradição que recuperou na década de 80, e a Serração da Velha.

Manuel Dias Soares, autor da música da Marcha do Vapor, aprendeu música, entre outros, com Augusto Symaria, regente da D’ Agosto. Mais tarde o próprio Manuel Dias Soares também dirigiu esta filarmónica. E foi exactamente à frente da Dez D’ Agosto que Manuel Dias Soares dirigiu musicalmente uma corrida de touros em Salamanca. A Filarmónica Dez d’Agosto deslocou-se a Espanha para abrilhantar a corrida em que o então matador Mazzantini triunfou, oferecendo a estocada afinal e a orelha do touro à Filarmónica Dez d’ Agosto.

Nas páginas de história da colectividade, salienta-se ainda o concerto que a mesma filarmónica deu no Convento da Batalha, em Setembro de 1908. A assistir ao concerto estava D. Carlos, que a galardoou depois com o título de “Real”. Mais recentemente dirigida por António Henriques,já falecido, a filarmónica tem actualmente em Joaquim Tomás Freitas o seu mestre.

Actualmente a direcção tem como presidente Susana Sousa.

Jorge Lé - in O Figueirense - 2004/08/20


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