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Serra da Boa Viagem festejou a sua santa padroeira
Na Serra da
Boa Viagem chegam hoje (2004/02/09) ao fim as festas em
honra da santa padroeira, que ontem atingiram o ponto alto,
com milhares de pessoas a assistirem à procissão. Uns
festejos que por estarem fortemente enraizados na
comunidade, atraem muitos emigrantes
A pequena
localidade da Serra da Boa Viagem viveu nos últimos dias a
sua festa mais importante, em honra da santa padroeira,
Nossa Senhora da Boa Viagem. Muitas dezenas de emigrantes
(particularmente do Luxemburgo e Bélgica), escolhem esta
altura para vir à "terra" e assistir aos festejos
e o mesmo aconteceu este ano.
Ontem a rua
principal tornou-se pequena para acolher tantos visitantes,
com forte representação de Buarcos, porque "esta
festa diz muito às pessoas de Buarcos, por causa dos
pescadores", referiu ao nosso Jornal o presidente da
junta Álvaro Soares, cujo executivo apoia os festejos.
"Tratamos e pagamos as licenças, o fogo de artifício,
os direitos de autor", salientou o autarca.
Outra junta
que se fez representar com o seu presidente foi a de Quiaios,
que também apoiou com cerca de 350 euros, a "verba
possível", salientou José Marques que recordou que,
desde que tomou posse, "construímos passeios,
recuperamos algumas das fontes e espero que até ao final do
mandato fiquem todas prontas", além da "limpeza
de ervas e da recuperação, com a autarquia, da Capela de
Santo Amaro".
A
povoação da Serra da Boa Viagem, curiosamente, pertence a
quatro freguesias, (Tavarede, Brenha, Buarcos e Quiaios),
embora o centro da povoação seja apenas abrangido pelas
últimas duas. Daí, que não seja de estranhar a forte
presença popular, e a fé manifestadas aos santos que
englobaram a procissão, designadamente o Menino Jesus,
Sagrado Coração de Jesus, Rainha Santa Isabel, Nossa
Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Conceição e Nossa
Senhora da Boa Viagem, cujos andores foram carinhosamente
enfeitados por Dorinda da Rocha (e o Nuno).
Mas para os
festejos que arrancaram no dia 28 de Janeiro, muitas outras
pessoas contribuíram e trabalharam ao longo do ano, como
fez questão de realçar Alberto Robala Jorge, que, em
conjunto com José Riperto, Fernando Loureiro e José
Alberto de Almeida formaram a comissão de festas deste ano.
Aquele responsável realçou "o trabalho e contributo
de todos, particularmente da parte das senhoras", cujo
contributo "é fundamental", disse.
Os festejos
deste ano orçaram os 12 mil euros e contaram também com a
colaboração da Câmara Municipal, que apoiou com o
pagamento a uma banda (a Filarmónica Dez de Agosto), além
do "apoio logístico, que é muito importante",
referiu o vereador das colectividades, que manifestou a sua
satisfação por estar "tanta gente" e por estas
festas, que surgem em pleno Inverno, "serem cada vez
mais marcantes", sublinhou Martins de Oliveira.
Quem não
se sentia tão satisfeito assim, eram os vendedores de
farturas, que em conjunto com os homens dos balões, das
pipocas, dos CDs e cassetes, de roupa, de calçado, e os de
"berloques" tentavam fazer algum negócio, mas a
julgar pelos comentários não deveria estar a correr muito
bem. "É a crise", dizia a senhora das farturas,
esperançada no espectáculo de Quim Barreiros, afirmando
"logo à noite é que vai ser". Entretanto, hoje a
finalizar os festejos, saem os gaiteiros para "recolha
do peditório" e actua o músico Virgílio Pereira.
A santa dos
pescadores
A igreja de
Nossa Senhora da Boa Viagem foi construída em 1867, mas foi
sofrendo alterações no seu interior ao longo dos anos e
por volta de 1974, apesar de se manter o corpo principal e a
sua traça, sofreu vários restauros, com a ampliação da
sua área, a construção da capela mortuária, um salão
para reuniões e catequese , sanitários e arrumos.
Mais
recentemente, há cerca de três anos, adquiriu-se em Lisboa
um novo altar, condizente com a imagem da santa, ao que tudo
indica muito mais antiga que a própria igreja, que estivera
anteriormente, num outro pequeno templo que existia na
encosta da serra.
O nome de
Nossa Senhora da Boa Viagem, ficará a dever-se não só ao
nome da própria povoação, como também aos pescadores e
capitães de navios de bacalhau, que, antes de rumarem para
a Terra Nova e Gronelândia, pediam protecção à santa
para a faina do alto mar, o mesmo acontecendo com os seus
familiares, que pediam que os pescadores regressassem sãos
e salvos.
Bela
Coutinho - in Diário de Coimbra - 2004/02/09
Nota: as
imagens desta página ilustram a procissão na tarde do dia
8 de Fevereiro de 2004.
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