Com cerca de 500 participantes e um mar de gente a assistir: Marchas
mais populares inundaram de festa a avenida
Tal como
já vem sendo um hábito milhares de pessoas
"inundaram" a Avenida do Brasil para ver o desfile
das Marchas. Este ano foram nove os grupos que deram um
brilho diferente àquela artéria.
Depois de
um dia onde a chuva quase ia estragando a festa, uma noite
de Verão apenas com um pouco de nevoeiro, permitiu que o
desfile saísse à rua e presenteasse todos com um
espectáculo de cor, alegria e música popular.
Mais uma
vez milhares de pessoas acorreram à Avenida do Brasil para
ver desfilar as Marchas do S. João, que este ano contavam
com um total de 9 grupos participantes, dois dos quais,
extra-concurso.
Não muito
habitual nestas andanças, mas uma presença assídua na
Figueira é a Marcha da Imperial Neptuna Académica, que
este ano desfilou pela avenida brindando todos os presentes
com uma interpretação do "Figueira da Foz".
Vindos de
Penacova, a Marcha do Mocidade Futebol Clube da Cheira
voltou a pisar o solo figueirense, mostrando as suas
cantigas e danças.
Terminada a
passagem destes dois grupos (extra-concurso), iniciou-se o
desfile dos 7 concorrentes, com o Grupo Instrução e
Recreio Quiaense, que desenvolveu o tema - "Gente de
Terra e de Mar".
Aliando a
faina do mar e do campo mostrou-se o quão dura era a vida
para aqueles que dependiam do que provinha da agricultura e
da pesca, sendo que, para os pescadores, as tempestades eram
sempre as mais temidas.
O verde, o
azul e o amarelo eram as cores que imperavam nesta Marcha
vinda de Quiaios, além dos barcos e das enxadas
transportadas à cabeça.
Vindos de
Buarcos, do Grupo Caras Direitas com "O Dia da
Merenda" trazia cestos recheados de flores, pois faziam
alusão ao 1º de Maio, onde as meninas, depois de
saborearem as merendas vinham do baile com um namorado.
No entanto,
apesar de tanta flor e cor quem despertou mais atenção e
aplausos foram Maria José Valério e Artur Garcia, os
padrinhos desta Marcha, que não deixaram de presentear todo
o público com muitos acenos e sorrisos.
Aludindo
também ao mar e aos costumes de Buarcos, a Marcha do Grupo
Instrução e Sport (GIS), tinha como madrinha a conhecida
peixeira Rosa Amélia, que bem ao seu estilo
"puxou" pelos marchantes.
As redes,
os pregões, as peixeiras e os pescadores eram as figuras
principais desta Marcha, onde o azul, o amarelo e o prateado
imperavam.
Porque
estamos em pleno Euro 2004 e a equipa das quinas necessita
de muito apoio para seguir em frente na prova, o Centro
Recreativo Cultural Carvalhense, aliou os dois "f"
(futebol e fado) que tanto caracterizam o povo português, e
desfilou vestido com bolas, violas e corações, estes
últimos para caracterizar a paixão que fica em todos os
que nos visitam.
Falando-se
de "Portugal Enamorado", as cores reinantes nas
vestes dos marchantes eram o vermelho e o verde.
Também
quiaenses, mas desta feita vindos do Quiaios Clube, os
elementos deste grupo representaram o milagre das rosas,
aludindo ao mesmo tempo ao teatro.
Esta
"homenagem" à padroeira de Coimbra surgiu devido
às inúmeras peças de teatro que têm sido feitas sobre a
Rainha Santa e o seu milagre (das rosas).
Terminada a
passagem deste grupo foram várias as pétalas de rosa que
ficaram na avenida, parecendo mesmo que se tinha vivido um
verdadeiro milagre.
Apesar de o
Verão já ter começado, o Rancho Folclórico e
Etnográfico de Lavos fez desfilar a "Primavera",
estando os seus arcos cobertos de andorinhas e flores,
próprias da estação que ainda há pouco acabou.
O azul era
a cor predominante, apesar de bem "recheada" de
muitas e coloridas flores.
A finalizar
o desfile surgiam os "Serões de Antigamente", que
do Sport Club de Lavos traziam uma lareira e algumas janelas
que lembravam os tempos idos, aqueles em que findo o dia de
trabalho a família se juntava toda em redor da lareira e se
namorava à janela.
Apesar do
nevoeiro que entretanto se "instalou", ninguém
arredou pé para não perder o fogo de artifício.
No entanto,
o espectáculo piro-musical perdeu parte do brilho, devido
às condições climatéricas.
Nuno
Encarnação estava, no final bastante contente, pois
"houve uma melhoria geral das marchas em relação ao
ano anterior", e o número de participantes
"aumentou e em tudo respondeu às expectativas".
O
administrador-delegado da Figueira Grande Turismo (FGT)
disse ainda ao nosso Jornal que "a Figueira está com
muitas pessoas que gostam e vão continuar a vir ao S.
João".
Quem
corroborou da opinião de Nuno Encarnação foi o presidente
da Câmara que chamou a atenção para "o muito
trabalho que os factos dão e que mostram o interesse que as
pessoas têm nestes festejos".
A terminar
Duarte Silva considerou que este ano, "a qualidade é
muito melhor".
Rute
Melo - in Diário de Coimbra - 2004/09/25
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