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Mais participação e mais alegria no S. João do Vale: Um
"doce" Judas atraiu a pequenada
A Queima do
Judas iniciou-se nos anos quarenta, na zona do S. João do
Vale, quando um morador, António Ribeiro, na época da
Páscoa, começou a comprar umas guloseimas que atirava aos
miúdos da zona, todos de fracos recursos, que tinham
naquele "ritual" uma das poucas oportunidades de
comer doces.
Daí, a
começar a vestir-se um boneco, o Judas, com os doces foi um
"pulinho", e durante muitos anos, era com paus que
as crianças "despiam" o boneco, para assim terem
acesso às guloseimas.
A
iniciativa parou com a morte do seu "fundador",
mas depois foi "repescada" por um residente da
zona, Álvaro Fernandes que, em conjunto com outros
"bairristas" fez renascer a "Queima do
Judas".
Agora, de
há dois anos para cá, formaram-se em associação, e
prometem não deixar morrer esta e outras características
daquela área.
No sábado
(2004/04/10) à tarde, a Associação Cultural e Recreativa
"Tradições Populares de S. João do Vale"
realizou de novo o encontro, este ano com mais adesão, dada
a mudança da hora.
Dezenas de
miúdos, do S. João do Vale e não só, descarregaram
energias no Judas, para ter acesso às amêndoas, rebuçados
e outras doçuras, num total de mais de 150 euros.
Mas este
ano, o Judas teve uma particularidade. Não foi vestido com
roupas normais, antes apresentava um fato dos trabalhadores
dos Serviços de Higiene e Limpeza da Câmara Municipal.
Um gesto
"simbólico, de protesto", por um incidente
ocorrido há poucos dias, contou Álvaro Fernandes, que
garante que irão "protestar", na próxima
reunião do executivo.
É que
habitualmente, quando morre alguém na zona, o chafariz,
mais que centenário, costuma ser "enfeitado por fitas
negras", como forma de mostrar o luto das pessoas dali.
Foi o que
aconteceu recentemente, quando morreu um dos homens que
costumava pintar e tratar o espaço, mas, segundo Álvaro
Fernandes, um trabalhador dos Serviços Municipalizados,
passou por ali e "limpou" todos os vestígios de
luto.
Daí, que o
Judas deste ano, tenha tido um significado diferente para os
moradores, mas não para as crianças, que, alheias a tudo,
apenas queriam arrecadar a maior quantidade possível de
doces.
Bela
Coutinho - in Diário de Coimbra - 2004/04/12
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