A tradição da Queima das Fitas (de Coimbra) é para cumprir e também a Garraiada que ontem (2004/05/09) se realizou na Figueira da Foz teve o seu momento de desorganização, com os bilhetes a ficarem esquecidos em Coimbra.

Tal situação levou a que alguém viesse buscar os ingressos, o que atrasou o início da festa por duas horas, ou seja para as 16h00.

No entanto, a festa acabou por correr bem, para gáudio de mais de duas mil pessoas presentes, que não se importaram muito de esperar mais duas horas.

Num dia em que o tempo colaborou, mantendo-se com temperatura amena, apesar de ligeiros chuviscos, pouco mais de uma centena de estudantes escolheu dormitar na Praia da Claridade até à hora de início da Garraiada. Talvez seja um sinal dos tempos, mas a grande maioria chegou em automóvel já depois da hora de almoço.

A festa no Coliseu Figueirense, que marca um momento especial para os que se preparam para terminar os seus cursos, principiou precisamente com os fitados a percorrerem a arena numa despedida simbólica da Universidade.

A tourada propriamente dita contou com a presença de dois cavaleiros e uma amazona e touros pouco colaborantes, especialmente um deles, que não estava muito pelos ajustes no que toca a receber os ferros.

As fugas que protagonizou, ao invés de investidas – que levaram mesmo a que o cavaleiro desistisse da lide -, provocaram gargalhadas que prenunciavam a garraiada que estava para vir.

Aqui são os estudantes que medem forças com os animais, arrancando aplausos, risos e, por vezes, gritos de aflição por parte da assistência.

Os pequenos novilhos têm mais medo das figuras trajadas de preto que os tentam pegar do que o contrário, mas por vezes lá vem uma marrada instintiva que lança alguém ao ar, divertindo uma multidão inebriada.

Quem o faz de propósito são os palhaços, autênticos artistas de circo que gozam a festa até mais não e protagonizam colhidas dignas das mais sonoras gargalhadas.

O saldo acaba por ser positivo, aliás como quase sempre, sem que ninguém se tenha magoado e com uma tarde que se pode considerar bem passada para quem se deu ao trabalho de rumar à Figueira da Foz.

José Carlos Salgueiro - in Diário de Coimbra - 2004/05/10


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