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Folclore em força na Figueira

O Festimaiorca completou este fim-de-semana (2004/07/17) 30 anos de Festival. O país, a Figueira da Foz e Maiorca, devem sentir-se orgulhosos desta importante manifestação artística ou folclórica, que tem sido uma verdadeira montra de culturas na promoção e divulgação dos usos e costumes, no coração do Baixo Mondego.

Esta edição n.º 30 do Festival Internacional de Folclore da Casa do Povo de Maiorca foi um êxito e ontem à tarde, no desfile do traje, pelas ruas do Bairro Novo até ao Jardim Municipal, foi um banho de multidão e um apontamento promocional que chamou à atenção para o festival que à noite decorreu no Terreiro do Paço, em Maiorca. Depois dos hinos nacionais dos países participantes, subiu ao palco o folclore, como expressão das culturas tradicionais, revelando o que cada povo tem de único e diferente – a sua identidade.

Foi um desfilar de culturas perante uma multidão que enchia o largo do Terreiro. Dos vistosos trajes vianenses, à autenticidade dos costumes da região de Arganil, os campinos da região Caramela do Pinhal Novo, o Ribatejo e Alto Alentejo, em transição com temas musicais de enorme riqueza e naturalmente o anfitrião Rancho Folclórico da Casa do Povo de Maiorca, com os tradicionais “bailes de roda” do Baixo Mondego, encantaram toda a gente.

Mas o Festimaiorca não ficou por aqui, a mistura das danças temperamentais de Vlaska e do Kosovo, pelo grupo da Sérvia Montenegro, a que se associou aquela emoção que é de cortar a respiração pelas gentes que chegaram de Istambul.

Foi pena que as músicas e os trajes da região da Roménia-Maldávia, Transilvânia, não pudessem estar presentes porque não conseguiram ultrapassar algumas questões financeiras. Contudo, foi um festival folclórico diferente e, principalmente, um acontecimento difícil de descrever, talvez o melhor Festimaiorca de sempre.

Esta iniciativa é importante porque todos os anos traz a esta região grupos nacionais e estrangeiros, que têm vindo dos quatro cantos do mundo para mostrar aos figueirenses as suas tradições ancestrais, na sua grande maioria desconhecidas de todos nós.

Mas o Festimaiorca é mais do que isso. É ponto de amizade e convívio, com os maiorquenses a serem uma população hospitaleira, que abrem as portas das suas casas a todos os que vêm a Maiorca e com eles trocam experiências e vivências, usos e costumes, contribuindo para amizades duradoiras que, ano após ano, sempre que os grupos se cruzam por essa Europa fora, há uma porta aberta, sinónimo da amizade que construíram no Festival em Maiorca.

Também não é menos verdade que todo este êxito só é possível dados os grandes conhecimentos da arte folclórica que António Maia Cardoso e toda a sua equipa Casa do Povo de Maiorca foram adquirindo ao longo de quase meio século a percorrer Mundo, divulgando a cultura e as tradições dos campos do Mondego, mostrando a arte de cultivar o arroz, ao mesmo tempo que enriqueciam os seus conhecimentos e saberes europeus.

A melhor prova da importância deste certame no país e além fronteiras, tem sido o reconhecimento pelas mais altas instituições europeias de folclore (Europeade, CIOFF, Medalha da Cidade da CMFF, prémio “O Trabalho” pela divulgação do nome da Figueira da Foz) e tantos outros que dignificam o Rancho da Casa do Povo de Maiorca e as suas gentes, honrando a Figueira da Foz e Portugal.

José Santos - in Diário de Coimbra - 2004/07/18


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