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Realizou-se
no passado fim-de-semana, 6 e 7 de Março de 2004, a segunda
jornada do Campeonato Nacional de Enduro 2004. A Figueira da
Foz foi o centro nevrálgico da prova, tendo sido a
descaracterizada Serra da Boa Viagem e a Praia de Quiaios o
palco de toda a acção (aliás como já vem sendo hábito
nos últimos anos).
Decidi
fazer uma perninha no nacional, e lá fui. Parti em último
com o único objectivo de ajudar e também compreender
"in loco" as dificuldades que os nossos Verdes
tinham. Compreendi desde logo que não existe entreajuda
nestas classes. 7ou 8 Kms rodados e já tínhamos uma fila
de 13 pilotos parados.
Quando
cheguei estava tudo de braços cruzados à espera que os
outros conseguissem ultrapassar o obstáculo. Dialogámos e
conseguimos entre todos superar o obstáculo. Não é
solução ficar a ver e não ajudar os colegas. O resultado
é penalizações óbvias da espera. Tem que existir mais
espírito de entreajuda nestas classes. Lá
seguimos e na segunda volta já era o cansaço a apoderar-se
de alguns pilotos (eu inclusive). Lá fomos falando e
conseguindo perfazer todo o percurso. Pelo menos valeu por
ter "trazido" comigo três pilotos que já só
pensavam era em desistir. No enduro tem que se ter espírito
de sacrifício.
É uma
modalidade onde o mais bonito é o trinómio homem /
máquina / natureza, e é um teste ás performances,
fiabilidade tanto de piloto como máquina em percursos com
elevado grau de dificuldade e dureza. Releguei a
Presidência do Júri para o Carlos Eliseu, dando contínuas
informações tanto a ele como ao director de prova do que
estava mal ao longo da minha progressão.
Comecemos
pelo primeiro dia de prova, onde depois de um dia de Inverno
onde muita água caiu, voltou o sol. Um primeiro erro foi
desde logo cometido. Conhecendo as pessoas envolvidas a Boa
Viagem, tendo indicações de melhorias de tempo, desde logo
se deveriam ter utilizado as alternativas e deixar o
estabelecido para o primeiro dia para o segundo. Estou
convencido que se tivéssemos feito no primeiro dia o
percurso do segundo tudo ficaria mais acessível.
Falha muito
grave foi a marcação. As setas não eram suficientes, os
cruzamentos não estavam devidamente assinalados/barrados
(piorando quando se fizeram as alternativas). Aí deixaram
de haver STOPS e pessoas no alcatrão. Os meus dois colegas
entraram pela estrada como se nada fosse, ficando parados no
meio desta. Outra
dificuldade foi a quantidade de manga existente no percurso
(três cores diferentes). Esta deveria ter sido retirada ao
longo de todo o percurso e posteriormente colocada no lado
direito deste. É uma regra instituída que se a manga
aparecer do lado direito estamos a progredir no sentido
correcto.
Em
relação aos tempos das secções, no meu entender o
primeiro troço deveria ser mais largo. Com cerca de 5 a 6
Kms de alcatrão em ligação pelo meio da cidade tem que se
dar mais tempo. O troço mais apertado não constituía
perigo pois não passavam por alcatrão. Quanto a mim bem
feito.
As
assistências foram outro calcanhar de aquiles. Local em
Quiaios muito bom, bastava alguém para orientar o
parqueamento destas. No parque fechado o espaço era
insuficiente para as estruturas que hoje felizmente temos no
Nacional. Porque não a utilização de toda a zona atrás e
lado direito do relógio de sol?? Havia mais espaço e não
perturbávamos ninguém.
Quanto ao
episódio dos tempos, se algo correu mal a decisão da
anulação deve ser de imediato tomada. Não pode é haver
dúvidas nos tempos. Senti ainda muito pouco apoio nas
especiais, onde havia de facto falta de manga e possíveis
cortes (assisti a 4 tentativas). Quanto ao
segundo dia, era uma prova completamente diferente. Aí já
estava montada uma prova com mais precaução. Julgo não
ter havido qualquer problema durante esta jornada.
Figueira da
Foz é um dos melhores senão mesmo o melhor local para a
realização de um enduro. Falha-se em pequenos pormenores e
teimosias... Especiais
muito boas embora também muito marterizadas. A enduro test
é para mim uma das melhores do campeonato. Pena é estar
tão "usada". Valeu a parte nova que estava
virgem. Uma Extreme sem dificuldade mas bem técnica. É
este o objectivo. Uma Cross test que tem como
característica a areia, sendo única no campeonato. Eis a
Figueira...então o que falta??!!
Uma
recomendação para as futuras organizações é o percurso.
Com o número de participantes que estamos a verificar, este
tem que ter 40 Kms sem as especiais, e não como aqui que
tínhamos 40 Kms com especiais. Há necessidade de mais
percurso para os pilotos não se atrapalharem uns aos
outros.
A nível
desportivo tivemos um Hélder a chegar ao seu melhor e um
Gonçalves a melhorar em relação a Góis. Pena o Sandro
não alinhar no segundo dia que certamente traria mais luta
nos três primeiros. Verificámos um Patrão um pouco abaixo
do seu nível, e um Serra, Enes, Felícia e Ramos em muito
bom plano. Nos meus
colegas verdes, Jorge Viegas (+ 250 4T) esteve superior à
concorrência. A 17seg ficou um Marco Garcia (250 2T) que
por sua vez conseguido 45seg sobre António Maio (125 2T).
Nuno Namora (250 4T) ficou em 8º ganhando a respectiva
classe. (...) VIVA O
ENDURO!
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