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Depois do
jejum a tradição cumpriu-se com a Dez de
Agosto.
Figueirenses e visitantes aderiram ao "Enterro do
bacalhau".
Diversas
zonas das mais carismáticas da Figueira da Foz, voltaram na
noite de sábado (2004/04/10) a encher-se de gente,
visitantes e figueirenses, para assistirem ao "Enterro
do bacalhau", uma tradição revivida anualmente pela
Sociedade Filarmónica Dez de Agosto.
Sem grandes
atrasos, o cortejo "fúnebre" saiu da sede da
colectividade, integrando 25 figurantes e quase igual
número de músicos, para, simbolicamente, enterrarem o
"fiel amigo", ou seja, celebrar o fim da época de
jejum, imposta pela Quaresma.
Mas esta,
é também, a oportunidade para se deixarem alguns recados,
quanto ao pulsar da cidade.
A primeira
paragem, como sempre, foi junto ao local da antiga sede da
Naval 1º de Maio, na Rua da República, onde o orador,
Alfredo Lopes, mais uma vez fez alusão às "eternas
cheias" que afectam aquela zona sempre que chove, falou
sobre o projecto de pedonalização da zona, do trânsito
condicionado na Ponte dos Arcos e da "ansiada"
sede para a junta de S. Julião, que arrancou grandes
sorrisos aos presentes: "é que a nossa sede da junta /
é o campo de golfe número dois / diz que vai, diz que vai
/ mas fica sempre para depois!".
Seguiu-se o
Mercado Municipal, espaço onde foram focados os preços dos
víveres, se elogiaram as exposições que a autarquia ali
tem levado a efeito, e se focou a necessidade de um novo
quartel para os Bombeiros Municipais, a construção do
molhe norte, do "farol moribundo", que "se
não lhe metem a mão, está aqui, está no fundo",
entre outros aspectos do "burgo".
Depois,
seguiu-se para a zona do Casino, a mais movimentada nesta
época do ano, considerada a "zona VIP".
Nesse
local, aludiu-se à degradação de diversos edifícios, às
obras do Casino Oceano, ao festival de peixes tradicionais
que está a decorrer, sem esquecer questões nacionais e
algumas quadras dedicadas a Durão Barroso, Manuela Ferreira
leite e Paulo Portas.
Já na zona
do Viso, optou-se pela chamada de atenção para a
necessidade de restaurar o centenário Coliseu Figueirense,
às "saudades" da Festa da Sardinha que já não
se realiza naquele espaço, à "proliferação" de
parquímetros por toda a cidade, à ausência da "feira
popular" por altura do S. João, entre outras coisas.
No Jardim
Municipal lamentou-se o estado daquela zona verde, "os
peixes não se vêm / o coreto abandonado / o jardim assim
esquecido / até parece pecado!", das inundações em
dias de invernia e do CAE, apelando-se a abertura daquele
espaço a grupos de teatro amador figueirense.
Na Praça
Nova focaram-se as fontes "abandonadas", e da
força do associativismo no concelho, enquanto que, na
última paragem, o S. João do Vale, se focou o Hotel da
Ponte Galante e a importância da tradição do
"Enterro do bacalhau", revivida anualmente pela
Dez de Agosto.
Susana
Sousa a presidente da colectividade, que também integrava o
cortejo, garantiu que este ano saíram para a rua,
"até agora sem apoio nenhum", apesar de admitir
que o pedido à junta de freguesia e Câmara Municipal
"foi enviado tarde".
No entanto,
a jovem dirigente sublinhou que a autarquia lhes cedeu a
carrinha onde se fazia transportar o orador, e diz acreditar
que irão ser apoiados, mas, ressalva "mesmo que
dissessem que não, nunca iríamos desistir", concluiu.
Bela
Coutinho - in Diário de Coimbra - 2004/04/12
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