Junta de Freguesia honrou as virtudes do padroeiro

A Junta de Freguesia de S. Julião organizou pela primeira vez as comemorações do santo padroeiro da freguesia, São Julião, conhecido como o "Santo Hospitaleiro", que nunca teve honras de festividades, talvez devido à época do ano em que se festeja (9 de Janeiro), nada propício a comemorações dado o rigor climatérico que se faz sentir.

A tradição foi quebrada. São Julião foi festejado com honra e dignidade e a população aderiu em força esgotando todas as iniciativas programadas. Foi assim no almoço, na missa e no espectáculo.

Para além dos gestos de solidariedade que a Junta de Freguesia teve para com os mais carenciados, distribuindo agasalhos, a missa em honra do Padroeiro, celebrada pelo padre João Veríssimo, acompanhada pelo Grupo Coral David de Sousa, foi o momento alto das celebrações com o pároco a enaltecer as virtudes nobres do santo, que dedicou a sua atenção e distribuía a sua fortuna no socorro aos pobres.

Para além dos gaiteiros, que percorreram as ruas da freguesia, e das actividades desportivas nas escolas, as festas terminaram com um espectáculo no Casino, que contou com a actuação da Imperial Neptuna Académica, do tenor Luís Pinto, o Grupo Maresia e o show do Casino "Toujours Can Can", terminando com baile ao som do "Sygma Band".

Gil Ferreira, presidente da Junta de Freguesia, prometeu dar continuidade a estas festividades no próximo ano.

José Santos - in Diário de Coimbra - 003/01/12

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S. JULIÃO DA FIGUEIRA DA FOZ
Nota Histórica

Situada entre o mar, o rio e a serra, a freguesia de S. Julião da Figueira da Foz é sede do concelho da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra. O seu orago é, como o próprio topónimo Indica, S. Julião, o Hospitaleiro, assim designado por este santo, juntamente com a esposa, receber e hospedar, na sua estalagem, pescadores pobres.

O topónimo da povoação é uma conjugação de três elementos, em que o primeiro se refere ao topónimo, "S. Julião", sendo os restantes uma designação, do concelho e da sua situação geográfica: Figueira da Foz.

A Figueira da Foz elevada a cidade em 1882, é o resultado da natural evolução do antiquíssimo povoado que foi S. Julião. Devido à falta de documentos escritos, é extremamente difícil situar temporalmente o início do povoamento desta freguesia.

As primeiras referências históricas da povoação remontam do século XI e referem uma pequena povoação que se foi constituindo em torno da igreja de S. Julião da foz do Mondego. Este templo terá sido construído em data incerta e, em 71 7, foi destruído pelos Sarracenos.

Em 1080, por ordens do Conde D. Sisnando, o Abade Pedro reconstrói a igreja, renovando o povoamento; em 1096, o mesmo Abade faz uma carta de doação à Sé de Coimbra, cujo cabido faz a doação, em 1237, aos "Povoadores de S. Julião", foro de Tavarede, a Marfim Migueis, Martim Gonçalves e Domingos Joannes.

Devido essencialmente à sua localização geográfica, S. Julião atingiu o seu auge no século XIV como porto de exportação e importação. Este facto fez com que o local, fosse constantemente saqueado por piratas.

O desenvolvimento económico provocou a transferência da Câmara de Tavarede, para a Figueira da Foz, em 1770. Um ano mais tarde, a Figueira foi elevada a Vila por D. José I. O património histórico e cultural não é muito vasto, no entanto possui beleza arquitectónica e antecedentes de grande importância.

A Igreja de S. Julião é um dos locais de interesse histórico: actualmente é já uma sobreposição de construções que se iniciou num templo pagão, que terá sido posteriormente cristianizado; refeito com traços românicos, transformado na época da Renascença e completamente reconstruído em 1782.

De grande importância é a Igreja de Santo António, templo do antigo Convento de Santo António, que actualmente funciona como lar de terceira idade; este Convento foi fundado no século XVI por Frei António de Buarcos, com o apoio de D. João III.

Existem na Freguesia outros monumentos, como é o caso da Casa do Paço, de meados do século XVII. O Forte de Santa Catarina, datado do século XVI, e o Pelourinho, monumento nacional. Merece também ser visitado o Palácio Sotto Mayor, do início do século XX, e o Museu Municipal Dr. Santos Rocha, com uma notável colecção arqueológica.

A praia constitui sem dúvida a maior atracção da Figueira da Foz proporcionando um fluxo turístico que está na origem de boa parte das actividades económicas da freguesia, na sua quase totalidade ligadas ao comércio e serviços, e nas quais o porto assume posição de relevo.


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