Outras Fotos

Marchas populares com sabor a pouco

Apesar de estarem inscritas 5 marchas populares, apenas 4 participaram, com esmero e brilho mas um sabor a pouco. Por isso, Paulo Pereira Coelho admite ter de estimular as freguesias e se não houver reacção, recorrer a marchas de fora do concelho

O adágio popular que diz que "santos da casa não fazem milagres", aplicou-se à participação de grupos do concelho nas marchas populares, o "ex- libris" da noite Sanjoanina. O problema não é novo, esta "crise" já se viveu outros anos, mas este, foi um dos menos participados de sempre.

O vereador do Turismo e presidente da entidade promotora dos festejos (FGT) desdramatiza, dizendo que "há anos com mais ou menos apetência", que "a conjuntura económica" também não ajuda, que "só na Figueira é que o dia 24 é feriado e nos outros locais trabalha-se", e que "se calhar, não fizemos tudo para espevitar o interesse".

Por isso, defendendo que as festas "são populares" e que "a traça tem que ser mantida", Paulo Pereira Coelho admite ser necessário "estimular a participação". Desde logo, começando "a trabalhar mais cedo", e "incentivar as freguesias, para ver se a maior parte adere". Caso contrário, sublinha, "iremos tentar congregar outras do distrito".

Dando como exemplo o Santo António de Lisboa, cuja participação é movida "pela competição", o autarca acredita que "aí reside o segredo de participação", além de que esse recurso, "trará mais gente de outros concelhos, com maior participação popular".

Já no final do desfile, mais longo do que seria razoável atendendo aos grupos participantes, o presidente da Câmara, garantia que gostou "muito", elogiando a "animação e o elevado nível". Duarte Silva considerou a participação de Quiaios (com duas marchas), "magnífica", enaltecendo "as ideias novas", apesar de este ser "um ano com certas restrições".

Um outro olhar atento e inédito na bancada "vip", foi o do ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues que quis conhecer mais de perto o S. João da Figueira. O ex- número dois de Santana Lopes na Câmara de Lisboa, diz que apreciou o desfile e comparando com as marchas de Santo António na capital, garantiu que, musicalmente "gostei mais destas".

O desfile na Avenida 25 de Abril, foi apreciado para "avaliação", por um júri composto por Adelino Martins, Manuela Marinheiro, Alice Maria, Luís Ribeiro e Nuno Encarnação (FGT), o presidente. Refira-se que cada marcha recebe 4 mil euros de participação e à vencedora é atribuído um troféu.

Noitada de S. João de arromba e até às tantas

O início da noite de S. João não era muito animador, pois o movimento nas ruas parecia ficar aquém das expectativas.

Todavia, com o "andar" da noite, as pessoas começaram a surgir e cerca da uma da manhã já era difícil caminhar, em todos os pontos de animação, quando o fogo de artifício terminou.

O Bairro Novo já não comportava tanta gente e, contrariando anos anteriores, talvez pela animação do conjunto, poucos ficavam indiferentes à música.

No S. João do Vale o cenário não era diferente e assistiu-se, segundo os mais antigos, à maior enchente de que há memória nas últimas décadas.

E além do "pézinho de dança" quase até ao raiar da aurora, era possível naquela típica zona, comer saborosa sardinha assada, bem regada como convém.

Aliás, os excessos alcoólicos foram os "promotores" de algumas escaramuças, no areal da praia e no Bairro Novo, mas nada que toldasse o brilho dos festejos.

Os "vapores de Baco" terão alegadamente sido também os culpados de um arrufo entre namorados, levando a fogosa jovem a atirar-se às águas do Mondego, tendo sido retirada sã e salva pouco depois.

Já ontem (2003/06/24) centenas de fiéis juntaram-se à procissão e bênção do mar, que, por acaso até é feita no leito do rio.

Animada pela Filarmónica Figueirense e liderada pelo pároco de S. Julião Coutinho Veríssimo foi um acto de fé dignificante, ao qual apenas faltaram as muitas embarcações que noutros tempos se aliavam.

Bela Coutinho - in Diário de Coimbra - 2003/06/25


visitante(s) online