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Entradas pagas deixam "Portugal Eléctrico" a meia-luz

As entradas pagas afastaram o mar de gente que se esperava. Contudo, o "Portugal Eléctrico" correspondeu às expectativas da organização e do público. Sábado, Netinho foi, mais uma vez, rei por uma noite. Para o ano há mais.

Ao contrário do que se esperava, o "Portugal Eléctrico" ficou aquém da edição do ano passado (100 mil pessoas, segundo a organização), não obstante o programa ser mais atractivo. A culpa foi das entradas pagas, que baixaram a fasquia para a metade, relativamente a 2001. Mas também de um Agosto pouco turístico, muito aquém do que tem sido habitual, que está a pagar a factura da crise.

"Está assim em toda a parte: na Figueira, no país e no mundo", frisa Nuno Encarnação, administrador-delegado da empresa Municipal Figueira Grande Turismo (FGT). São os efeitos colaterais do 11 de Setembro.

Apesar disso, a organização afirma que o resultado corresponde às expectativas. "No ano passado, a entrada era livre e o evento realizou-se sábado e domingo", justifica Alexandre Pinto, da empresa que organiza o evento, a Ideal Globo. Este ano, a entrada mais barata custava quatro euros e o 'trio eléctrico' desfilou sexta e sábado.

No primeiro dia, a organização estimava que estivessem, na Avenida do Brasil, "mais de 20 mil pessoas", mas depois da contagem dos bilhetes, no dia seguinte, confirmou-se que, afinal, estiveram apenas 10 mil. No sábado, afirma Alexandre Pinto, "entraram cerca de 40 mil pessoas". O mais importante - acrescenta - "é saber que as pessoas ficaram satisfeitas". Para o ano – avança – não serão dois, mas três dias de festa baiana: sexta, sábado e domingo.

O rei Netinho

Números à parte, As Meninas e os Anjos, que actuaram juntos, sexta, num espectáculo inédito, e Netinho, sábado, e mais uma série de atracções, entre elas o rei da 'axé-music', Ricardo Chaves, fizeram com que o "Portugal Eléctrico" electrizasse a avenida principal de Buarcos.

Principalmente no sábado, com milhares de pessoas a debitar energia, horas a fio, que até os baianos presentes reconheceram que os portugueses estão cada vez mais brasileiros, quando toca a dançar. Neste caso, o 'culpado' chama-se Netinho - que já em 2001 fora o rei do 'trio eléctrico' - que confirmou que o Carnaval da Baía está onde ele e o seu séquito estiverem. Para o ano... "cá estarei, outra vez".

A avaliar pela reacção do público e pela vontade da organização, não deverá, entretanto, ser destronado.

Afinal, que seria do "Portugal Eléctrico" sem Netinho? "Já faz parte do evento, é mais um elemento da equipa", responde Alexandre Pinto. "Adoro actuar no 'trio eléctrico', porque gosto de festa, e a minha música transmite alegria", declara, por seu turno, o cantor.

O interprete de "Mila" faz de Portugal a sua "segunda casa" e da Figueira o seu "quarto", sendo que a Avenida do Brasil é a sua sala-de-visitas, que se tem tornado pequena para tantos visitantes.

Jot'Alves - in As Beiras - 2002/08/05


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