





























Nota:
as fotografias incluídas nesta página foram obtidas entre
os dias 25 e 26 de Outubro de 2002.
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Uma
história sobre rodas
O primeiro
automóvel que chegou a Portugal era da marca Panhard &
Levassor, e foi importado de Paris pelo IV Conde de Avilez a
12 de Outubro de 1895.
Sete anos e
meio depois, haveria no país pouco mais de cinquenta
exemplares. Uma corrida de automóveis entre a Figueira da
Foz e Lisboa, em 27 de Outubro de 1902, organizada por um
pequeno grupo de jornalistas - António Zeferino Cândido,
Anselmo de Sousa, Carlos Callixto, Álvaro de Lacerda,
Júlio de Oliveira, Eduardo Noronha e Henrique Anacoreta -
foi o ponto de partida para a fundação do Automóvel Club
de Portugal (ACP).
Mas não
tardou que a esse grupo de jornalistas se juntassem cada vez
mais entusiastas do automóvel, entre os quais o próprio
irmão do rei D. Carlos, o infante D. Afonso, que mereceu a
alcunha de "arreda" por utilizar frequentemente
esta expressão quando conduzia nas ruas da capital.
São estes
homens, separados na vida por profissões, ideologias e
crenças, mas unidos pela paixão automobilística, que
encetam a tarefa de fundar uma associação de
automobilistas. Nasce então o Real Automóvel Club de
Portugal, a 15 de Abril de 1903, na Sociedade de Geografia
de Lisboa, com Carlos Roma du Bocage, como presidente da
direcção e Carlos Callixto como seu vogal da mesma.
Sobre a
primeira edição da "Grande Corrida de Automóveis
Figueira da Foz Lisboa" (nome dado ao evento em 1902),
completam-se 100 anos este domingo, 27 de Outubro (2002).
Dos dez participantes que saíram da Figueira da Foz,
chegaram ao fim apenas três: o Darracq de 8 cv, de Tavares
de Melo, tripulado pelo francês Edmond, que chegaria a
Lisboa em 6 horas, 24 minutos e 5 segundos, mas viria a ser
desclassificado, o Fiat do Infante D. Afonso, conduzido pelo
italiano Giuseppe Bordino, e que venceria a prova, e na
terceira posição, novamente um Darracq, guiado por Afonso
de Barros, que chegaria à capital em 8 horas, 43 minutos e
43 segundos.
Da Figueira
da Foz, os concorrentes dirigiram-se para Montemor-o-Velho e
daí para Coimbra, onde Tavares de Melo, ao volante de um
Darracq, foi substituído por Edmond, dando origem à
posterior desclassificação do veículo que mais depressa
completou o trajecto. Seguiram-se Leiria, Alcobaça,
Óbidos, Cadaval, Azambuja, Alhandra, Alverca e, finalmente,
Lisboa.
Reviver a
História
A partir de
1980, o Clube Português de Automóveis Antigos, com a
colaboração do Automóvel Clube de Portugal e da Câmara
Municipal da Figueira da Foz, passaram a promover a prova,
anualmente, em Outubro, trazendo assim à Figueira
verdadeiras relíquias sobre rodas, muitas ainda do tempo em
que ser automobilista era tudo menos fácil. A velocidade
dos automóveis não ultrapassava os 30 kms/h, e quem não
os tinha tendia a considerá-los como uma "coisa do
diabo", cujo ruído assustava pessoas e animais. Para
além de tudo isto, pôr um carro a funcionar era uma arte:
para ligar o motor em marcha, era necessário manobrar
várias alavancas e abrir uma série de válvulas. A
iluminação era feita através de lanternas ou faróis de
carboneto. As rodas eram revestidas a borracha maciça, o
que tornava as viagens muito desconfortáveis. Só mais
tarde seria generalizado o pneumático.
A forma
destes veículos permitia apenas viajar em "cima
deles", e não "dentro deles", o que obrigava
ao uso de roupas especiais e adereços de protecção, como
os caricatos protectores de orelhas. No princípio do
século XX, conduzir um automóvel era uma verdadeira
aventura. Hoje, os donos destas Donas Elviras, asseguram que
ainda o é, embora agora num sentido mais tranquilo e lúdico.
Só para
maiores de 72
Hoje
(2002/10/25) e
amanhã (2002/10/26) tem lugar a corrida destinada a veículos
clássicos, o Raid Figueira da Foz-Lisboa. Esta prova, que
esteve na origem da fundação do Real Automóvel Club de
Portugal, actual Automóvel Club de Portugal (ACP), dá o
pontapé de saída para as comemorações do centenário do
Club, a ser assinalado em 2003, terá a participação
máxima de 60 concorrentes, possuidores de veículos
fabricados até 1930, pretendendo-se recriar aquela que foi
a primeira competição oficial do estilo em Portugal.
Contando
com o apoio precioso da Câmara da Figueira da Foz , onde
tem início a prova, e da edilidade de Lisboa, onde termina
a competição, a caravana desta "Grande Corrida de
Automóveis" como na época foi designada, vai seguir,
na medida do possível (são muitas as alterações
registadas ao longo destes 100 anos, na ligação original)
o traçado então percorrido, passando por Montemor-o-Velho,
Coimbra (onde terá lugar uma breve neutralização no
centro da cidade, para que a população possa apreciar as
belas máquinas participantes), Pombal, Leiria e Alcobaça,
onde os participantes terão à sua espera um retemperador
almoço, no interior do histórico Mosteiro, só possível
graças ao apoio prestado pela Direcção daquele monumento,
da Câmara Municipal de Alcobaça e Junta de Freguesia
local.
Depois, e
até Lisboa, a caravana passará ainda pelas Caldas da
Rainha, Óbidos, Bombarral e Cadaval, onde, como já vem
sendo tradição, efectuará uma breve paragem para ser ali
saudada por um numeroso grupo de entusiastas. O Carregado
antecede a entrada na "velhinha" EN 10 pela qual
será efectuado o percurso entre Vila Franca de Xira e
Lisboa. À chegada a Lisboa e depois de uma neutralização
para reagrupamento de toda a comitiva, os 60 veículos
participantes vão percorrer as principais artérias da
capital, tendo como destino o Terreiro do Paço, onde
ficarão em parque, para aí poderem ser observados com
melhor atenção pelo público.
Contando
com a colaboração especial da Repsol e da Inter Partner
esta é uma prova que traz à memória colectiva alguns dos
mais belos modelos jamais feitos na indústria automóvel,
que escreveram a História do mais importante elemento de
mobilidade nascido no século XX. Entre as Donas Elviras que
visitam hoje (2002/10/25) a Figueira da Foz está, como há 100 anos, um
Darracq.
Um
Darracq de 1902 volta à Figueira
Para o ACP,
o Raid Figueira da Foz-Lisboa tem um significado muito
especial, uma vez que a realização desta competição,
também uma das mais antigas da Europa, deu origem à
criação do Real Automóvel Club de Portugal.
Coincidindo
com o início das comemorações do centenário do ACP, o
Raid Figueira da Foz-Lisboa, organizado conjuntamente pelo
ACP Clássicos e Clube Português de Automóveis Antigos,
reunirá um máximo de 60 veículos, produzidos até 1930,
que serão repartidos por três categorias:
A- até
31/12/1904; B- de
01/01/1905 a 31/12/1918; C- de
01/01/1919 a 31/12/1930.
Para além
dos cuidados postos na elaboração da componente social, os
organizadores, em colaboração com os municípios,
delinearam um percurso que se aproxima, tanto quanto é
possível, com a rede de estradas de hoje do percorrido por
Giuseppe Bordino, o primeiro vencedor do Raid, ao volante de
um Fiat, que gastou 7 horas, 29 minutos e 25 segundos na
ligação entre a Figueira e Lisboa.
Muitos
associados do ACP Clássicos e do CPAA, já demonstraram
interesse em participar nesta prova centenária. Pela sua
idade e historial, estão já garantidas as presenças,
entre outros, de um Darracq, de 1902 (Colecção do Museu do
Caramulo), um Clement de 1900 e um Peugeot Bebe de 1914. Do
estrangeiro estão asseguradas representações de clubes
congéneres e dois veículos do Museu Peugeot. Recorde-se
que foram dois automóveis Darracq que, há cem anos,
conseguiram terminar o percurso da prova, juntamente com o
já referido Fiat pertencente à realeza lusitana.
Durante o
percurso do Raid Figueira da Foz-Lisboa, com cerca de 300
quilómetros, os concorrentes vão contar com o apoio das
estações de serviço Repsol, um dos patrocinadores da
prova.
in O
Figueirense - 2002/10/25
«---»
Centenário
da 1.ª Prova Automobilística na Península Ibérica
Figueira da Foz-Lisboa. Máquinas do passado continuam a
brilhar no presente.
Há 100
anos foram 14 os que partiram da Figueira da Foz com destino
a Lisboa, naquela que foi a primeira prova automobilística
realizada na Península Ibérica, a 27 de Outubro de 1902.
Agora, foram 70 os que participaram na prova comemorativa do
centenário dessa corrida, que partiram da Figueira da Foz
com destino a Lisboa.
O percurso
foi praticamente o mesmo de há 100 anos, partiram da
Figueira da Foz e passaram por Montemor-o-Velho, Coimbra,
Pombal, Leiria, Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos,
Bombarral, Cadaval/Aveiras, Carregado, Vila Franca de Xira,
Alverca e Sacavém, fazendo-se a chegada junto à Igreja do
Campo Grande/Lisboa).
Nesta prova
centenária participou apenas um carro daquele ano (Darracq
de 1902), de Tiago Patrício Gouveia, sendo os restantes de
1904 até 1935, um conjunto de máquinas fabulosas que deixa
maravilhados todos aqueles que as apreciam.
A
organização pertence ao Clube Português de Automóveis
Antigos apoiada pelo ACP e pelas várias autarquias
envolvidas nesta iniciativa, entre outros patrocinadores. A
concentração que ao fim da tarde da passada sexta feira
aconteceu na Figueira da Foz, juntou centenas de pessoas,
mas ao longo da noite muita gente foi apreciar os
"bólides" estacionados na Av. 25 de Abril.
O
presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Duarte
Silva, também ele um entusiasta por estes carros e motos,
associou-se à iniciativa e teve a oportunidade de dar uma
"voltinha" num daqueles clássicos. À noite, no
Casino, foi o convívio entre todos aqueles que no dia
seguinte se faziam a estrada para chegar a Lisboa.
Lembrando
o passado...
O ano de
1902 marcou o início das primeiras manifestações
desportivas conhecidas para veículos motorizados. Os
registos estatísticos à época mostram que em 1900 tinham
sido importados 13 automóveis, mas no ano seguinte já eram
20 e em Outubro de 1902 deveriam já circular cerca de 100
automóveis em Portugal.
Acompanhando
o que se estava a passar pela Europa, com a expansão das
competições, em Portugal davam-se os primeiros passos para
se organizar uma prova automobilística ligando, se
possível, duas cidades importantes. A proposta de ligar o
Porto a Lisboa foi rapidamente abandonada devido aos
problemas com as redes de estradas na época. Segunda
hipótese apontava para uma ligação entre duas das mais
famosas praias na época, Figueira da Foz e Cascais, mas os
"cortes" impostos pela via férrea, trazia
complicações à organização. Contudo, a ideia foi para a
frente, marcando-se a prova para 26 de Outubro de 1902,
entre a Figueira da Foz e Lisboa. Com 14
inscrições (cinco eram motociclos), entre eles já alguns
pilotos profissionais, Edmond, pela Darracq; Giuseppe
Bordino pela Fiat e os americanos, Abott e Camargo pela
Locomobile, estiveram presentes nesta prova.
Mas a
primeira novidade aconteceu antes da prova, com o francês
Edmond, que na véspera fez um reconhecimento ao percurso,
utilizando um pequeno Darracq com 9 cv, mas as avarias e os
furos foram tantos que o piloto foi obrigado a parar na
Azambuja, fazendo o resto do percurso no comboio correio,
até Alfarelos, mas o sono foi mais forte e quando acordou
estava em Coimbra, sem condições para chegar à Figueira
da Foz. Como o Edmond não aparecia, o Dr. Tavares de Melo
levou o Darracq até Coimbra e aí apanhou o piloto,
viajando os dois para Lisboa. Entretanto, a organização
decidiu-se pela desclassificação da equipa, já que o
regulamento não previa mudanças de condutores. Embora
o Darracq tenha sido o mais rápido, acabou por vencer o
Fiat 1/5, do infante D. Afonso, conduzido por Bordino, com o
tempo de 7h, 23m e 23,2s.
António
Paulo Oliveira, foi o vencedor de motociclos. Estes
elementos da história da 1.ª Prova Automobilística da
Península Ibérica, fazem parte do livro "Figueira da
Foz-Lisboa 1902) - a Grande Aventura", da autoria de
José Barros Rodrigues.
José
Santos - in Diário de Coimbra - 2002/10/28
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