Jovens vibram com a "Queima do Judas"

Dezenas de crianças e adultos juntaram-se, no largo do Vale, para assistir e participar na "Queima do Judas".

Os mais novos foram quem viveram a tradição com mais intensidade, talvez porque o "boneco" lhes ofereceu, no total mais de seis quilos de rebuçados, para além de 500 pacotes de amêndoas e muitos "chupas".

O entusiasmo e a vontade de «não deixar morrer» esta tradição vai passando de pais para filhos e destes para os netos, por isso, a garantia de «não esmorecer» a "Queima do Judas" ficou bem patente, ontem (2001/04/14), no Largo do Vale.

Residentes da zona e curiosos concentraram-se, recordaram como era antigamente e espicaçaram as crianças para lhe «darem com força».

Munidos de cabos de vassoura, os miúdos concentraram-se, assim, numa das mais antigas zonas da cidade e com impaciência aguardavam a autorização para começar, que acabou por chegar mas "condicionada". É que, primeiro era necessário dar a vez aos mais pequeninos e, só depois, os outros puderam avançar.

Com pancadas certeiras as crianças "batiam" no Judas, as roupas do boneco iam-se rompendo e pelo chão espalhavam-se guloseimas aos molhos, que uns iam guardando nos bolsos, outros, os mais previdentes, arrecadavam em sacos que as mães guardavam.

Esta forma de queimar o Judas, iniciou-se nos anos quarenta e hoje os organizadores são na sua maior parte, os rapazinhos da altura que tinham naquele dia a oportunidade que escasseava durante o resto do ano, comer doces.

Na sua maioria filhos de famílias pobres, e em plena Guerra Mundial, as privações eram mais que muitas. Por isso, a iniciativa de António Ribeiro, mais conhecido por "Picha", era acolhida em ambiente festivo.

Pelo que se conta, nunca terão havido cabeças rachadas, apesar do «entusiasmo» ser muito maior do que actualmente, como recorda Álvaro Fernandes, um dos homens que continua a lutar para que a "Queima do Judas" não se perca.

Os participantes também eram «muitos mais» e chegavam «de toda a Figueira», mas mesmo assim, o balanço deste ano foi «francamente positivo», afirma, sublinhando que «esteve mais gente» do que em edições anteriores.

Bela Coutinho - in Diário de Coimbra - 2001/04/15

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Subida ao pau mais concorrida pelas meninas

A actividade mais concorrida foi a subida ao pau, para alcançar o bacalhau, o vinho do Porto e a "rosquilha", este ano com franca adesão feminina.

Meninas como a Ana, a Cláudia, a Rita, a Ana Rute ou a Mariana, que veio de propósito de Tavarede «para participar» na aventura, uma vez que a avó vive no Vale, tudo fizeram para alcançar o topo, mas nem com uma ajudinha lá conseguiram chegar.

Melhor sorte e mais agilidade teve o Márcio Pinheiro, de 12 anos, que conseguiu alcançar o bacalhau e logo ali prometeu que o iria ajudar a comer.

Vencedor já pelo segundo ano consecutivo, garantiu que a iniciativa «é muito gira» e que «quando for grande», vai ajudar a organizar.

Também o Hugo Veiria de 17 anos e que "ganhou" o vinho do Porto, manifestou vontade de vir a colaborar com a organização.

José Santos - in Diário de Coimbra - 2001/04/14


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