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Eram exactamente 8h50, quando, ontem (2001/09/07), o "braço" da máquina giratória começou a perfurar a Esplanada Silva Guimarães.

Para trás ficavam décadas de história e aquela que deverá ter sido uma das mais longas noites do ano, para advogados, funcionários da autarquia, comerciante do "Tubarão" e alguns mirones.

A "estória" teve o seu início poucos minutos depois das 0h00 de ontem, quando o chefe da patrulha do CI (Corpo de Intervenção), António Ferreira, se abeira das duas únicas mesas ocupadas no restaurante o "Tubarão" (uma das quais com jornalistas), e solicita que efectuem o pagamento da despesa e abandonem o local.

O último cliente a sair, curiosamente um vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, José Luís Pereira Coutinho, de férias na Figueira da Foz, questionava-se sobre o que se iria passar e não arredou pé da zona.

Seguiu-se a entrada pacífica dos agentes de autoridade, advogados, técnicos e funcionários da autarquia, para procederem ao inventário e esvaziarem o restaurante de todo o seu recheio.

Pacatamente, o arrendatário Manuel Simões e alguns funcionários, continuavam a "despachar serviço", como se de uma noite normal se tratasse. O único pedido que foi feito foi que se aguardasse pela chegada do advogado.

Até lá, nem declarações, nem aparente perda de controlo. Mas os elementos da autarquia, decidiram começar sem a chegada do advogado, com Teresa Baptista a fazer valer os seus argumentos, posição que manteve até ao fim.

Admitindo a existência de uma providência cautelar, para suspensão da eficácia da deliberação da autarquia, de tomada de posse administrativa, Teresa Baptista (do departamento jurídico da Câmara Municipal) garantia que as três folhas que recebeu do Tribunal Administrativo «são imperceptíveis quanto à fundamentação e quanto ao significado», ou seja, sustentou, não se cumpriam os três requisitos previstos na lei (grave lesão do interesse público, prejuízo de difícil reparação ou de ilegalidade por parte da Câmara Municipal). (...)

Obra a concluir até ao mês de Junho

O valor da empreitada, que engloba duas fases distintas, ascende a 400 mil contos, sendo que, nos próximos cinco meses, se realizam os trabalhos de demolição e reconstrução dos edifícios de baixo.

No final do terceiro mês, «é possível», segundo o vereador, começar a segunda fase, que engloba as obras de arquitectura nos estabelecimentos comerciais e em finais de Janeiro deverão iniciar-se as obras do piso de cima da esplanada.

Ou seja, Miguel Almeida está convicto que «durante o mês de Junho» as obras estarão concluídas. As principais mudanças deverão operar-se ao nível do rés-do-chão, sendo que só o espaço do "Tubarão" vai ficar mais pequeno, enquanto que os restantes ficam com as mesmas dimensões ou maiores.

No entanto, vão desaparecer algumas das estruturas, como os balneários públicos e a bomba de gasolina, transformando-se o parque subterrâneo numa discoteca, nascendo igualmente outros novos espaços, a disponibilizar mediante concurso.

Bela Coutinho - in Diário de Coimbra - 2001/09/08


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